Juros caem após defesa de piso para o dólar pelo BC

 Leilão de swap cambial realizado pela autoridade monetária justificou o recuo das taxas

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

21 de agosto de 2012 | 16h53

As taxas futuras de juros passaram por uma correção de baixa nesta terça-feira, sobretudo nos vencimentos intermediários e longos. O movimento, durante algum período do dia, contrariou o tom mais otimista visto no exterior e foi sustentado, durante a tarde, pela piora dos mercados norte-americanos. No entanto, na visão de alguns profissionais da área de renda fixa, o leilão de swap cambial reverso do Banco Central justificou, em grande medida, o recuo das taxas, podendo ser interpretado como mais um sinal de que a autoridade monetária está mais preocupada, no momento, com o comportamento da atividade do que com o da inflação.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (420.345 contratos) estava em 7,30%, de 7,31% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (371.990 contratos) marcava 7,89%, de 7,92% ontem. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (119.775 contratos) cedia para 9,30%, de 9,36% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 10.780 contratos, recuava para 9,91%, de 9,99% no ajuste.

Os juros projetados pelos DIs até ameaçaram algum ganho no começo do dia, em linha com a menor aversão ao risco externa. Mas quando o BC iniciou uma pesquisa de demanda por contratos de swap cambial reverso - equivalentes à compra de dólar no mercado futuro -, os investidores optaram por devolver parte dos prêmios acumulados no pregão da véspera.

O otimismo visto mais cedo foi influenciado pela expectativa de que as autoridades europeias tomarão decisões, nos próximos dias, para minimizar a crise de dívida soberana da zona do euro, por meio do Banco Central Europeu (BCE). Além disso, um jornal estatal chinês sinalizou que o país pode adotar novas medidas para impulsionar o consumo. Após o fechamento positivo das bolsas europeias, no entanto, Wall Street, que também operava em alta, perdeu fôlego. Os comentários do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, que disse aos investidores para não esperar muito da política monetária, ajudaram a mudar o cenário.

Internamente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o indicador de nível de produção em julho, que faz parte da Sondagem Industrial, ficou em 51,1 pontos, o que representa aumento ante os 45,5 pontos de junho e os 50,1 pontos de julho do ano passado. Números acima de 50 indicam expansão e, abaixo disso, contração. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 73% em julho, o mesmo patamar de julho do ano passado e acima dos 72% de junho de 2012.

E o movimento de queda das taxas futuras ocorre na véspera da divulgação do IPCA-15. Levantamento feito pelo AE Projeções com 52 instituições do mercado financeiro indica que o índice de agosto deve ficar entre 0,30% e 0,45%. A mediana das estimativas é de 0,37%. Em julho, o IPCA-15 marcou 0,33% e o IPCA cheio foi de 0,43%.

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