Juros caem após IPCA-15

IPCA-15 revelou uma queda de 0,09%, quando a expectativa do mercado variava entre baixa de 0,03% e alta de 0,10%

Marisa Castellani, da Agência Estado,

20 de julho de 2010 | 10h12

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de julho, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou deflação mais intensa que a esperada pelas instituições financeiras e consultorias, jogando mais lenha na fogueira do mercado de juros, na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic (a taxa básica de juros da economia). O dado reforçou as apostas de alta em somente 0,50 ponto porcentual na Selic, em detrimento da elevação em 0,75 ponto porcentual.

 

O IPCA-15 revelou uma queda de 0,09%, quando a expectativa do mercado variava entre baixa de 0,03% e alta de 0,10%, com mediana em 0,02%. A deflação do IPCA-15 de julho foi "fortemente influenciada pelos alimentos", segundo destacaram os técnicos do IBGE. O grupo Alimentos e Bebidas registrou queda de 0,80% neste mês, ante baixa de 0,42% no mês passado. Já os produtos não alimentícios registraram alta de 0,12%, ante aumento de 0,37% em junho. A desaceleração na taxa, na passagem de um mês para o outro, foi influenciada por diversos grupos de produtos, com destaque para transportes (baixa de 0,36%).

 

Antes da divulgação do IPCA-15, a segunda prévia de julho do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), já tinha mostrado variação próxima ao piso das expectativas do mercado. O indicador ficou em 0,03%, enquanto o intervalo das previsões dos analistas era de zero a 0,21%, com mediana em 0,13%. A desaceleração foi considerável, já que, na mesma prévia do mês anterior, a taxa havia ficado em 1,06%.

 

A reação nos juros foi imediata: as taxas projetadas pelos contratos futuros de DI de curto prazo, que melhor espelham a decisão do Copom de amanhã e as seguintes, mostraram quedas. A aposta de alta de 0,50 ponto porcentual na Selic amanhã também ganhou mais terreno, ante a expectativa de elevação em 0,75 ponto porcentual. Às 9h18, a precificação indicada pela curva a termo de juros mostrava 69% de chances de alta de 0,50 ponto porcentual na Selic e apenas 31% de possibilidades para 0,75 ponto.

 

No exterior, o começo do dia é marcado pela cautela com os balanços, com a expectativa pelos testes de estresse dos

bancos europeus e com os dados macroeconômicos norte-americanos. O mercado também teve outra decepção com dados do mercado imobiliário dos EUA: o número de obras de imóveis residenciais iniciadas caiu 5% em junho, para a média anual sazonalmente ajustada de 549.000, o menor nível desde outubro de 2009.

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