Juros caem apostando em Fed manter estímulos neste ano

Dados de emprego abaixo do esperado reforçou ideia de política inalterada pelo banco central dos EUA

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

22 de outubro de 2013 | 16h53

As taxas futuras de juros recuaram nesta terça-feira, 22, em linha com a queda do dólar e dos prêmios dos títulos da dívida do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries. Dados do mercado de trabalho norte-americano em setembro vieram abaixo das estimativas e reforçaram a ideia de que os estímulos à economia dos EUA serão mantidos neste ano pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). A interpretação despertou o apetite por risco, tirando força do dólar, uma vez que o equivalente a US$ 85 bilhões das compras de ativos mensais pelo Fed devam continuar entrando no mercado no curto prazo.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2015 (473.675 contratos) indicava 10,53%, de 10,57% no ajuste anterior. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (241.805 contratos) apontava 11,45%, ante 11,53% na véspera. A taxa do DI para janeiro de 2021 (7.675 contratos) estava em 11,88%, ante 11,95%.

"O payroll desarmou a ideia de que a redução dos estímulos pelo Fed poderia começar neste ano e isso causa ajustes em todos os ativos, incluindo os juros e o dólar", afirmou o sócio gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. Segundo o Departamento do Trabalho norte-americano, a economia dos EUA criou 148 mil empregos em setembro, abaixo da previsão de 180 mil novos postos de trabalho. O setor privado gerou 126 mil vagas no período, enquanto o governo, apenas 22 mil. A criação de vagas em agosto, contudo, foi revisada em alta, de 169 mil para 193 mil. Por sua vez, a taxa de desemprego diminuiu para 7,2%, de 7,3% em agosto e 7,3% esperados.

"A questão é que esse levantamento do mercado de trabalho dos EUA nem pegou o período de paralisação do governo. Ou seja, os números devem piorar daqui para frente", afirmou um profissional da área de renda fixa. Assim, o juro da T-note de 10 anos marcava 2,517% às 16h32 (horário de Brasília), de 2,606% no fim da tarde da véspera.

No mercado de câmbio, a perspectiva de que o Banco Central deixe de fazer a rolagem integral de vencimentos de swap para novembro ajudou a segurar a moeda dos EUA. Mas o exterior prevaleceu e o dólar à vista no balcão terminou cotado a R$ 2,174, com baixa de 0,18%.

No âmbito doméstico, os dados de atividade seguem fracos. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 0,9% neste mês, para 97,1 pontos, em relação ao resultado final de setembro (98,0 pontos), de acordo com prévia divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria recuou para 84,1%, de 84,2%, na mesma comparação.

Também mais cedo, a Receita Federal informou que a arrecadação atingiu R$ 84,21 bilhões no mês passado - recorde para meses de setembro. O resultado ficou ligeiramente abaixo da mediana das estimativas colhidas pelo AE Projeções (R$ 84,8 bilhões). O secretário da Receita substituto, Luiz Fernando Teixeira Nunes, disse que o órgão trabalha com redução na previsão de crescimento da arrecadação neste ano. Antes, o Fisco estimava aumento de 3% e, agora, de 2,5% a 3%.

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