Juros caem com pressão menor da inflação

Outro fator é a desaceleração vista no INCC-M, que tem 10% de peso no IGP-M e subiu 0,62% em julho, ante 1,77% de junho

Marisa Castellani, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 10h16

O mercado de juros já começou o dia novamente encurtando prêmios nos contratos futuros de DI, inclusive nos prazos curtos, mesmo já tendo feito o mesmo movimento ontem, o que surpreende alguns profissionais. O pano de fundo se mantém: a ideia de que a atividade econômica nacional perdeu o ritmo do primeiro trimestre e de que o quadro inflacionário oferece menor pressão. Isso teria pesado para que o Banco Central (BC) reduzisse a dose de alta da Selic (a taxa básica de juros da economia), na quarta-feira passada, para 0,50 ponto porcentual. Segundo algumas fontes, dois fatores podem estar reforçando este movimento hoje.

 

O primeiro é o monitor da inflação oficial da Fundação Getúlio Vargas (FGV) - que faz acompanhamento diário das variações de preços nos moldes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - que mostrou acentuação da deflação no chamado "IPCA ponta". Neste conceito, cujo cálculo procura captar as variações de preços mais recentes, o indicador teria registrado -0,16% hoje, de -0,04% apontado ontem. No conceito do IPCA diário mensal, o indicador mostraria hoje variação de 0,07%, ante 0,09% na véspera, conforme disseram profissionais de mercado que têm acesso ao monitor.

 

Outro fator é a desaceleração vista no Índice Nacional de Custo da Construção - Mercado (INCC-M), que tem 10% de peso no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) e subiu 0,62% em julho, ante 1,77% de junho. A alta estaria abaixo das expectativas do mercado, em torno de 0,70%. Um fator que chama atenção no índice é a desaceleração mensal dos custos de materiais e serviços, que não sofrem tanto efeito sazonal quanto os custos de mão de obra. Os preços de materiais e equipamentos subiram 0,53% no mês, sendo que, em junho, a inflação deste segmento foi de 1,04%. Os preços dos

serviços aumentaram 0,27% em julho, ante 0,92% em junho.

 

Até que a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) seja divulgada, na próxima quinta-feira, o mercado de juros pode enfrentar volatilidade, com reações a dados de atividade e de inflação. Na curva de juros, isso pode também levar a precificações em relação à Selic com potencial de mudanças rápidas. Hoje, por exemplo, a precificação na curva para a alta da Selic na reunião do Copom de setembro é de 0,20 ponto porcentual, o que significa 80% de chances de alta do juro básico em 0,25 ponto porcentual e 20% de possibilidades de estabilidade, com o fim do ciclo de aperto monetário.

Tudo o que sabemos sobre:
jurosBM&FinflaçãoIGP-MIPCA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.