Juros caem no pós-Copom com deflação e queda do dólar

As taxas foram pressionadas também por dados que indicam atividade econômica fraca, resultado primário do governo central acima do previsto e retração nos títulos do governo norte-americano

Álvaro Campos, da Agência Estado,

29 de maio de 2014 | 16h49

Os juros futuros tiveram quedas firmes nesta quinta-feira pós-Copom. Além de um ajuste natural de uma pequena minoria que apostava em alta da Selic, as taxas foram pressionadas pela deflação registrada pelo IGP-M de maio, dados que indicam atividade econômica fraca, o resultado primário do governo central acima do previsto, a desvalorização do dólar e a retração nos yields dos Treasuries, que tocaram hoje a mínima em 11 meses.

Ao término da sessão regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para outubro de 2014 (138.795 contratos) apontava 10,830%, de 10,860% na véspera. O DI para janeiro de 2015 (369.225 contratos) estava em 10,86%, de 10,89%. Já o DI para janeiro de 2017 (375.795 contratos) tinha taxa de 11,68%, de 11,78% no ajuste anterior. E o DI para janeiro de 2021 (80.000 contratos) projetava taxa de 12,03%, de 12,22% no ajuste anterior. Em Nova York, o yield da T-note de 10 anos tocou hoje o menor nível em 11 meses e às 16h30 estava em 2,449%, de 2,437% no fim da tarde de ontem.

Ontem, o Banco Central interrompeu o ciclo de aperto monetário, ao manter a Selic em 11%, "neste momento". No comunicado, a autoridade afirmou que a decisão tomada após mais de quatro horas de reunião foi unânime e sem viés. Segundo analistas, a leitura mais provável é que a instituição deve aguardar as eleições presidenciais em outubro antes de agir novamente.

Hoje, a FGV informou que o IGP-M de maio teve queda de 0,13%, após a alta de 0,78% em abril, com uma retração maior do que a mediana estimada pelos analistas, de -0,04%. Já o Tesouro divulgou que o governo central teve superávit de R$ 16,596 bilhões em abril, acima do previsto, de R$ 15,350 bilhões. Com esse saldo positivo, o superávit acumulado no primeiro quadrimestre ficou em R$ 29,659 bilhões, equivalente a 1,81% do PIB e acima da meta do governo, de quase R$ 27,7 bilhões. E a alta de apenas 0,6% no estoque de crédito em abril ante março sugere que a atividade econômica continua fraca.

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