Juros cedem à espera do Copom e dúvida sobre atividade

Taxas futuras tiveram quedas generalizadas na semana em que Comitê decide e nova taxa Selic

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

27 de agosto de 2012 | 16h53

As taxas futuras de juros iniciaram a semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve optar por mais um corte de 0,5 ponto porcentual da Selic, para 7,50% ao ano, com queda generalizada. Os analistas não encontraram um motivo único para justificar o recuo. Mas o dado fraco das vendas de papelão ondulado em julho, a confiança dos empresários alemães em declínio e a revisão em baixa para o juro básico em 2012, por parte do grupo Top Five médio prazo da Focus, ajudam a definir o viés baixista desta segunda-feira.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (288.935 contratos) estava em 7,29%, de 7,33% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (215.360 contratos) marcava 7,89%, de 7,96% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (35.885 contratos) indicava 9,22%, ante 9,29%, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de apenas 1.045 contratos, apontava 9,80%, de 9,88% no ajuste.

Os indicadores divulgados nesta segunda-feira em âmbito local mostraram alguma divergência, mas o resultado das vendas de papelão ondulado em julho, consideradas um importante indicador antecedente de produção, trouxe a visão de que a recuperação da indústria ainda pode estar bem abaixo da mostrada por outros setores da economia. A comercialização do insumo ante julho de 2011 cedeu 0,04%, na primeira queda na comparação anualizada registrada pela Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) neste ano. Na comparação entre julho e junho deste ano, as vendas caíram 0,16%.

Em contraposição, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 1,4% em agosto ante julho. Também nesta segunda-feira a Receita Federal divulgou que a arrecadação em julho foi de R$ 87,947 bilhões, uma queda de 7,36% ante julho de 2011. O resultado ficou abaixo do piso das estimativas do AE Projeções, que era de R$ 88,500 bilhões.

No que diz respeito à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a variação de preços da cidade de São Paulo, subiu 0,27% na terceira quadrissemana de agosto, de 0,21% na segunda prévia.

A pesquisa Focus, por sinal, também trouxe piora das expectativas de inflação. Os analistas ouvidos pelo BC para a confecção do levantamento elevaram as projeções para o IPCA ao fim de 2012 de 5,15% para 5,19%, mas mantiveram em 5,50% as estimativas para 2013. Um dado que chamou a atenção dentro da pesquisa foi a revisão em baixa da mediana das estimativas do Top 5 médio prazo - grupo de analistas que mais acerta as projeções - para a Selic em 2012, de 7,25% para 7%, indicando mais dois cortes de 0,5 ponto porcentual. Para o fim de 2013, a estimativa para a Selic subiu de 8,63% para 8,88%.

No exterior, as bolsas europeias terminaram em alta, ao passo que as norte-americanas estão perto da estabilidade. Logo cedo, o Instituto IFO mostrou que o índice de sentimento das empresas caiu pelo quarto mês consecutivo em agosto, para 102,3, de 103,2 em julho e abaixo das previsões de 102,7. O dado foi contrabalançado por declarações de autoridades ligadas ao Federal Reserve reforçando a possibilidade de adoção de novos estímulos.

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