Juros colam no dólar e fecham em baixa

Nas horas finais dos negócios, também pesou a queda ainda mais intensa dos juros dos Treasuries

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

27 de agosto de 2013 | 16h58

As taxas futuras de juros andaram coladas ao movimento do dólar durante toda esta terça-feira, 27. Por isso, quando a moeda subia pela manhã, também puxava os DIs. À tarde, com a virada do dólar ante o real, os juros encostaram na estabilidade, terminando o pregão com viés de baixa nas taxas curtas.

Nas horas finais dos negócios, também pesou a queda ainda mais intensa dos juros dos Treasuries. Nesse ambiente, o mercado manteve as apostas majoritárias de alta de 0,5 ponto porcentual da Selic para o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina nesta quarta-feira, 28. Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro janeiro de 2014 (280.605 contratos) marcava 9,20%, de 9,22% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (387.335 contratos) indicava taxa de 10,30%, de 10,34% nesta segunda-feira, 26.

Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (197.600 contratos) apontava 11,53%, ante 11,52% na véspera. O DI para janeiro de 2021 (38.105 contratos) estava em 11,83%, de 11,81% no ajuste anterior. "Os juros acompanharam, basicamente, o dólar, como tem sido nos últimos dias", afirmou um profissional da área de renda fixa, ressaltando que as tensões envolvendo a Síria podem trazer volatilidade ainda mais atípica aos mercados.

"Não fosse a Síria, talvez o dólar não tivesse subido tanto pela manhã", pontuou. Nesta terça-feira, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, disse que as forças do país estão prontas para agir a qualquer ordem do presidente Barack Obama para atacar a Síria. Isso fez o petróleo subir cerca de 3% tanto em Nova York quanto em Londres.

De acordo com profissionais consultados pela reportagem, pela manhã também houve pressão de alta em função da formação da Ptax - na sexta-feira, será definida a taxa que servirá de parâmetro para liquidação dos contratos derivativos de setembro. À tarde, passada a formação da taxa, o dólar passou a oscilar com mais "liberdade".

Em meio a tudo isso, a divisa dos EUA no mercado à vista de balcão terminou cotada a R$ 2,3710, com queda de 0,71%. Diante desse cenário, os dados domésticos voltaram a ficar em segundo plano. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,23% na terceira quadrissemana de agosto, ante 0,17% na segunda quadrissemana e -0,16% na terceira medição de julho, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O número ficou abaixo da mediana das estimativas colhidas pelo AE Projeções, de 0,27%. No campo da atividade, as vendas reais do setor supermercadista registraram alta de 11,59% em julho ante o mesmo mês de 2012, conforme o Índice Nacional de Vendas divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na comparação com junho deste ano, o indicador avançou 3,45%. Nos EUA, em meio a alguns dados positivos e as incertezas sobre a Síria, as bolsas caíam, bem como os juros dos Treasuries.

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