Juros confirmam Selic maior em abril

Se até o fechamento de quinta-feira o mercado de juros ainda não precificava convicção plena sobre a elevação da Selic na próxima semana, as declarações desta sexta-feira do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deixam em dúvida apenas a intensidade do aperto: se de 0,25 ou de 0,50 ponto porcentual. Tal cenário está refletido no avanço firme das taxas futuras de curto prazo, sobretudo após Mantega dizer que o governo tomará medidas contra a inflação, "mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros". Logo depois, Tombini afirmou que "não há nem haverá tolerância com a inflação".

MÁRCIO RODRIGUES, Agencia Estado

12 de abril de 2013 | 17h25

Pela manhã, as taxas de juros já exibiam leve alta, em reação ao IBC-Br de fevereiro, que embora negativo, veio melhor do que o esperado pelo mercado, e a um movimento técnico de zeragem de posições vendidas em taxa por parte dos players que não acreditavam no avanço do juro básico agora. Segundo profissionais da área de renda fixa, esses fatos e as declarações de Mantega e Tombini deram origem a um processo de ''stop loss'' que amplificou o avanço das taxas de juros e a um forte movimento de contratos.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o contrato de DI com vencimento em julho de 2013 marcava 7,52%, de 7,32% no ajuste da véspera. O DI com vencimento em janeiro de 2014 apontava 8,17%, de 7,92%. O juro com vencimento em janeiro de 2015 indicava máxima de 8,67%, de 8,50% na véspera. O contrato com vencimento em janeiro de 2017 marcava 9,26%, ante 9,16% na véspera e o DI para janeiro de 2021 estava em 9,73%, ante 9,69%.

Apesar de a curva de juros precificar uma alta de 37 pontos-base de elevação para a Selic para a reunião do Copom que termina em 17 de abril, o que representa cerca de 50% de chances de um aperto monetário de 0,5 ponto porcentual, alguns profissionais afirmaram que o comportamento dos juros nesta sexta-feira foi exagerado e que o mais provável é que o BC comece o ciclo de altas da Selic com 0,25 ponto. "Hoje, havia muita gente apostando que não haveria nenhuma mudança na reunião da próxima semana e que sofreu com ''stop loss''. O avanço das taxas teve origem não apenas nas declarações da equipe econômica, mas também em um movimento técnico", afirmou uma fonte.

Durante intervalo na XXV Reunião de Presidentes de Bancos Centrais da América do Sul, no Rio, Tombini disse que "não há nem haverá tolerância com a inflação". Pouco antes, declarações de Mantega já haviam acelerado a alta das taxas de juros. "Vamos tomar medidas, mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros", disse.

Pela manhã, a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do Banco Central havia feito as taxas futuras avançarem modestamente. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central recuou 0,52% em fevereiro em relação ao mês anterior, após registrar alta de 1,43% em janeiro ante dezembro (dado revisado para cima), na série com ajuste sazonal. A queda do IBC-Br em fevereiro ante janeiro foi menor que mediana das projeções de -0,85%. Mas foi o maior recuo para o mês desde 2005.

Tudo o que sabemos sobre:
jurosqueda

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.