Juros consolidam aposta em ciclo maior de corte da Selic

 Investidores migraram majoritariamente para um cenário em que a taxa voltará a cair em outubro

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

29 de agosto de 2012 | 16h45

Apesar da percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mudará o comunicado que acompanha a decisão a ser anunciada na noite desta quarta-feira os investidores em juros já migraram majoritariamente para um cenário em que a Selic voltaria a cair no mês de outubro, ainda que em menor intensidade. Além disso, também consolidou-se o movimento iniciado recentemente e que mostra a possibilidade de a Selic permanecer baixa por mais tempo em 2013.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (710.480 contratos) estava na mínima de 7,21%, ante 7,26% no ajuste. Nesse patamar, o contrato estampa mais um corte de 0,50 ponto porcentual da Selic nesta quarta-feira para 7,50% ao ano, e cerca de 80% de chances de uma nova redução, só que de 0,25 ponto, em outubro. A taxa do DI abril de 2013 cedia para a mínima de 7,19%, de 7,24% ontem, mostrando que a Selic deve permanecer baixa, pelo menos, até o fim do primeiro trimestre do ano que vem.

Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (465.055 contratos) marcava 7,75%, também na mínima, ante 7,82% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (67.400 contratos) indicava 9,14%, de 9,17% na terça-feira enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 2.410 contratos, apontava 9,75%, de 9,77% no ajuste.

O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira que o Governo Central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário de R$ 3,989 bilhões em julho. No ano, o resultado positivo acumulado é de R$ 51,905 bilhões até o mês passado.

No exterior, o Livro Bege divulgado pelo Federal Reserve (Fed) não trouxe grandes novidades, mas, se colocado em perspectiva, pode gerar a leitura de que haverá uma terceira rodada de afrouxamento monetário (QE3). Luciano Rostagno, estrategista-chefe do WestLB no Brasil, lembrou que a autoridade monetária norte-americana havia condicionado, na ata da última reunião, a adoção de novos estímulos a uma melhora substancial da atividade. "Mas o documento de hoje traz a constatação de que atividade manufatureira caiu em muitas áreas", observou o estrategista.

Mais cedo, a revisão em alta do PIB dos EUA no segundo trimestre, de 1,5% para 1,7% - em linha com o previsto - ajudou a sustentar, ainda que de forma moderada, as bolsas de Nova York. Na Europa, um artigo escrito pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, para um semanário alemão tirou as bolsas do velho continente das mínimas no começo do dia e provocou uma breve alta do euro. Draghi afirmou que o BCE vai garantir a estabilidade dos preços e que a política monetária única na zona do euro pode às vezes exigir medidas extraordinárias.

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