Juros cortam excesso de otimismo e aguardam ata do Fed

O mercado de juros começa esta quarta-feira cortando as pontas do excesso de otimismo visto por dias seguidos. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a taxa do DI de janeiro de 2008, o contrato de depósito interfinanceiro de maior liquidez, estava em 13,32% ao ano às 10h10, ante 13,29% do fechamento de ontem. Alguns fatores explicam os motivos dessa correção, segundo operadores ouvidos hoje de manhã pela Agência Estado. Em relação ao exterior, como hoje é dia de divulgação da ata da reunião de 20 de setembro do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e os mercados já deixaram de lado a tese de que o Fed poderia partir para corte de juros em suas próximas reuniões, há uma tensão natural no ar sobre o que o documento pode trazer em termos de alerta sobre a inflação. Os mercados ouviram vários dirigentes do Fed tocarem no assunto com preocupação. Ontem mesmo, o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, reiterou os temores de que a inflação possa ainda estar muito alta, trazendo de volta a perspectiva de outro aperto do Fed. No front interno, o mercado de juros tinha partido com excessivo otimismo para a tese de que o tucano Geraldo Alckmin - que passou ao segundo turno e com votação superior à esperada - poderia vencer o presidente Lula, candidato à reeleição. Alckmin, inclusive, foi apontado por vários analistas como o "vencedor" do debate com Lula no domingo passado, na TV Bandeirantes. Mas a pesquisa Datafolha feita após o debate mostrou, na verdade, que Lula ampliou de 7 para 11 pontos a vantagem sobre Alckmin, subindo de 50% para 51% das intenções de voto, enquanto o tucano caiu de 43% para 40%. Outro incômodo para o mercado - embora não tenha chegado a gerar influência negativa sobre os negócios - foram as declarações polêmicas sobre câmbio e necessidade de cortes nas despesas correntes do governo, dadas ontem pelo economista Yoshiaki Nakano, cotado para assumir um ministério no caso da vitória de Alckmin. As declarações, inclusive, forneceram armas para a campanha de Lula, que agora acusa o adversário de pretender uma recessão no País e intervir no sistema de câmbio flutuante. Alckmin negou que as idéias de Nakano constem de seu programa de governo. Mas é evidente o desconforto.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2006 | 10h17

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