Juros curtos caem por IPCA, mas EUA limitam queda

O índice oficial de inflação em junho, abaixo do piso das projeções, garantiu recuo das taxas nos vencimentos mais próximos

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

05 de julho de 2013 | 17h05

Uma série de indicadores no âmbito doméstico e externo elevou o número de negócios com juros futuros, fazendo as taxas curtas operarem em leve queda e as longas, com pequena alta, nesta sexta-feira, 05. O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, abaixo do piso das estimativas, garantiu o viés de baixa para os juros projetados pelos vencimentos mais próximos, uma vez que indica desaceleração dos preços e, por isso, manutenção do ritmo de aperto monetário em 0,50 ponto porcentual.

Uma força contrária, porém, veio do exterior. A criação de postos de trabalho nos Estados Unidos superou as projeções e fez os investidores enxergarem como mais iminente a redução dos estímulos pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos). Esse cenário provocou a alta dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), reduzindo o recuo dos juros domésticos curtos e fazendo as taxas longas avançarem.

Com o mercado em fechamento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo irá monitorar as variações do dólar e poderá reduzir alíquotas de importação de insumos básicos na mesma proporção até setembro deste ano. Segundo ele, a medida não será imediata e os setores serão chamados para conversar.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (74.005 contratos) estava em 8,43%, de 8,44% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2014 (320.970 contratos) marcava 8,82%, ante 8,87% na véspera. O vencimento para janeiro de 2015 (412.235 contratos) indicava taxa de 9,67%, ante 9,75% na véspera. Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (231.680 contratos) apontava 11,04%, igual ao do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2021 (9.850 contratos) estava em 11,52%, de 11,42%.

O mercado recebeu bem o IPCA do mês passado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação subiu 0,26% em junho, após alta de 0,37% em maio. O resultado ficou abaixo do piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam taxas entre 0,29% e 0,38%. E apesar de no acumulado dos últimos 12 meses o IPCA ter ficado em 6,7%, bem acima do teto da meta de inflação, de 6,5%, o mercado passou a esperar desaceleração mais intensa do índice. A LCA Consultores, por exemplo, revisou sua projeção para a inflação deste mês, para +0,09%, de +0,11%.

Por outro lado, o relatório de emprego nos EUA mostrou que a economia norte-americana criou 195 mil empregos em junho, superando a previsão de economistas, de +160 mil postos. Além disso, o número de criação de vagas em maio foi revisado para cima, a 195 mil, de 175 mil na leitura original. Como o mercado de trabalho é um dos gatilhos para que o Fed inicie a redução das compras de bônus, hoje em US$ 85 bilhões ao mês, os investidores passaram a enxergar a possibilidade de que o BC dos EUA opte por diminuir estímulos já em setembro, provocando alta intensa dos juros dos Treasuries e também influenciando a alta das taxas domésticas de longo prazo. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego permaneceu em 7,6%, ante projeção que cairia a 7,5%. Em junho, o presidente do Fed, Ben Bernanke, destacou que as compras seriam interrompidas quando a taxa de desemprego recuasse a 7%.

De volta ao noticiário doméstico, Mantega anunciou, ainda pela manhã, que o governo federal fará um novo corte no Orçamento deste ano para garantir o cumprimento da meta do superávit primário de R$ 110,9 bilhões, ou 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele disse que, nesse primeiro momento, o valor da redução será abaixo de R$ 15 bilhões, mas até o fim do ano pode haver outros cortes.

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