Juros curtos fecham estáveis por divulgação de ata do BC

Consenso sobre documento do BC é que a Selic, referência da taxa básica, deverá subir mais 0,5 ponto porcentual em agosto

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

18 de julho de 2013 | 16h57

Em meio às diferentes ponderações sobre a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), houve um consenso: a Selic continuará subindo no próximo encontro, em agosto, provavelmente no ritmo de 0,50 ponto porcentual. Como resultado dessa leitura, os juros curtos, que já indicavam majoritariamente a possibilidade, ficaram praticamente estáveis, enquanto as taxas futuras mais longas oscilaram com o cenário externo e a queda do dólar ante o real. No documento divulgado na manhã desta quinta-feira, 18, o Banco Central (BC) acrescentou preocupações sobre o crescimento, mas cravou que "entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso".

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (29.240 contratos) estava em 8,42%, igual ao ajuste anterior. O DI para janeiro de 2014 (163.095 contratos) marcava 8,75%, idêntico à véspera. O vencimento para janeiro de 2015 (357.805 contratos) indicava taxa mínima de 9,33%, ante 9,36%. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (200.095 contratos) apontava 10,41%, também na mínima, de 10,44% na véspera. O DI para janeiro de 2023 (11.580 contratos) estava na mínima de 10,88%, de 10,94%.

Dentro do mercado, houve quem enxergou uma ênfase maior do BC à atividade em detrimento da inflação. Mas também houve quem fizesse leitura exatamente oposta. Talvez por isso, ao contrabalançar as diferentes visões, os investidores em juros pouco mudaram suas posições.

Os economistas também citaram o câmbio como fator importante na condução da política monetária. Na ata, o Copom avaliou que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio nos últimos trimestres "ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos", acrescentando que "importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária".

Nos Estados Unidos, a queda maior do que as projeções dos pedidos de auxílio-desemprego deram viés de alta aos juros dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), pressionando também os juros domésticos intermediários e longos. Mas o viés de queda do dólar ante o real segurou esse trecho da curva de juros perto da estabilidade. O dólar à vista no balcão fechou com queda de 0,18%, a R$ 2,2270.

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