Juros curtos seguem travados e médios e longos caem

Os contratos futuros de juros de curto prazo cumprem uma jornada de poucas movimentações, enquanto a baixa disposição ao risco que permeia o exterior justifica recuo nos vencimentos médios e longos. As movimentações confirmam um mercado que não identifica razões para remodelar a expectativa de que haverá queda de 0,50 ponto porcentual da Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana, quando a taxa passaria do 8% atual para 7,5% ao ano. Os contratos curtos comportam ainda expectativas divergentes para o encontro de outubro, com investidores divididos entre manutenção ou corte de 0,25 ponto porcentual da taxa básica no penúltimo encontro do ano do Copom.

PATRICIA LARA, Agencia Estado

24 de agosto de 2012 | 11h33

Às 10h47, o contrato para janeiro de 2013 apontava 7,33%, de 7,31% no ajuste. O DI janeiro de 2014 indicava 7,93%, de 7,96% no ajuste. Nos longos, a taxa do janeiro de 2021 cedia de 9,97% no ajuste para 9,90% há pouco.

De acordo com pesquisa do AE Projeções, 80 de 81 instituições consultadas com a previsão de corte de 0,50 ponto porcentual da Selic na próxima semana. Em relação aos próximos passos na condução da política monetária, a divergência ainda é grande. Considerando uma amostragem de 74 instituições do mercado financeiro, 34 casas previram que a taxa de juros terminará 2012 na marca de 7,5%, após o corte de 0,50 ponto porcentual previsto para a próxima semana. O AE Projeções captou também que 20 casas aguardam a Selic em 7,00% no fim do ano; 19 no nível de 7,25%; e apenas uma em 7,75%, o Banco de Ribeirão Preto, que também vê o encerramento da sequência de baixas em agosto, só que em forma de queda de 0,25 ponto.

Até outubro, o Copom terá em mãos dois dados da produção industrial, além de outros indicadores. O indicador sobre o desempenho do parque fabril de julho será anunciado em 4 de setembro, enquanto o documento de agosto será conhecido no dia 2 de outubro. O encontro do Copom de outubro ocorrerá nos dias 9 e 10. Os dados da produção industrial são calculados pelo IBGE, que não conseguiu na quinta-feira apresentar a compilação das taxas de desemprego nacional, em razão do impacto da greve dos servidores.

Nesta sexta-feira saiu informação de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai se reunir na próxima semana com representantes do setor automotivo para avaliar dados que subsidiarão a decisão do governo de prorrogar ou não a redução do IPI para automóveis. O benefício fiscal, que vigora até 31 de agosto, ajudou as montadoras a reduzirem seus estoques, diante das fortes vendas. E os próximos dados de produção devem captar melhor o efeito da medida, anunciada em 21 de maio.

No exterior, o impasse sobre o apelo da Grécia para ter um prazo maior para cumprir as condições previstas no pacote de resgate ao país continua. Após reunião hoje com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou querer que a Grécia permaneça na zona do euro. Mas Merkel não se comprometeu a conceder mais espaço de manobra com relação às medidas de austeridade até a conclusão de um relatório da troica sobre os progressos gregos com as reformas estruturais, o que é previsto para setembro.

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