Juros curtos têm leve alta e longos fecham em queda

Acordo nos EUA e Caged beneficiaram contratos curtos, enquanto dólar puxou vencimentos longos

Márcio Rodrigues e Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

16 de outubro de 2013 | 16h57

O acordo que pode pôr fim ao impasse fiscal nos Estados Unidos e a geração de empregos acima das estimativas no Brasil em setembro, segundo dados do Ministério do Trabalho, garantiram ligeira alta para as taxas de juros mais curtas nesta quarta-feira, 16. O movimento não foi mais intenso porque o dólar operou em baixa e os investidores continuaram cautelosos antes da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será conhecida na quinta, 17. Os juros longos, por sua vez, tiveram pequeno recuo, em linha com os taxas dos Treasuries, títulos da dívida do Tesouro dos EUA, e o câmbio.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2014 (110.705 contratos) marcava 9,545%, de 9,534% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (271.780 contratos) indicava taxa de 10,38%, de 10,36%. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (136.680 contratos) apontava 11,26%, ante 11,28% na véspera. A taxa do DI para janeiro de 2021 (6.455 contratos) estava em 11,75%, ante 11,78% no ajuste anterior.

A queda nas taxas de juros na primeira parte do dia, com as preocupações sobre o impasse político nos EUA e os dados decepcionantes do IBC-Br, foi revertida em meio a notícias positivas, relataram operadores. "O anúncio do acordo político nos EUA acabou fazendo os DIs reverterem a tendência de queda. Além disso, a gente teve a divulgação do Caged, que veio acima das expectativas, bem acima do que o mercado estava esperando", afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Segundo o Ministério do Trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que o saldo líquido de empregos formais gerados em setembro foi de 211.068, acima do intervalo das previsões obtidas pelo AE Projeções, que iam de 60.415 a 170 mil vagas no mês passado. Pela manhã, o BC anunciou o IBC-Br de agosto. O indicador subiu 0,08% ante julho, revertendo parte da queda, de 0,34%, de julho ante junho (dado revisado), na série com ajuste sazonal. A alta do indicador, no entanto, ficou bem abaixo da mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções (+0,20%).

Nos EUA, os líderes do Senado anunciaram um acordo para evitar um calote e reabrir o governo federal, um dia antes de o país atingir seu limite de endividamento. O plano, anunciado pelo democrata Harry Reid e pelo republicano Mitch McConnell, financiaria as agências federais até 15 de janeiro e estenderia a autorização para o governo tomar empréstimos até 7 de fevereiro. A proposta deve ir à votação no Senado ainda nesta noite. Assim, as Bolsas subiam com força e os juros dos Treasuries perdiam fôlego. Às 16h35 (horário de Brasília), o prêmio da T-note de 10 anos estava em 2,675%, de 2,718% no fim da tarde da véspera.

O dólar perdeu força em relação a divisas de países emergentes, em um sinal de apetite por risco. Ante o real, a moeda dos EUA terminou em baixa de 0,37%, cotada a R$ 2,176 no balcão.

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