Juros curtos têm viés de alta após relatório de inflação

 Diminui também a chance de novo corte da Selic na reuniãão do Copom de outubro

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

27 de setembro de 2012 | 16h57

As taxas futuras de juros curtas mostram leve viés de alta nesta quinta-feira com a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, apresentado logo cedo pelo Banco Central. Segundo analistas, a autoridade monetária não alterou o discurso mais conservador que vinha adotando recentemente e os investidores, que já precificavam majoritariamente a manutenção da Selic nos atuais 7,50% em outubro, não tiveram motivos para inverter qualquer posição. Por outro lado, a avaliação do BC de que o cenário internacional continuará desinflacionário no médio prazo acabou pressionando os juros longos para baixo, uma vez que pode significar que a reversão do ciclo de afrouxamento demorará um pouco mais para se materializar.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (570.735 contratos) estava em 7,28%, de 7,26% no ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (324.040 contratos) marcava 7,74%, ante 7,73% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (72.080 contratos) indicava 9,09%, de 9,12% na quarta-feira. O DI janeiro de 2021, com giro de 2.315 contratos, apontava 9,76%, ante 9,80% no ajuste.

No Relatório, o BC realmente incorporou a desoneração para o setor de energia anunciada recentemente pelo governo, mas as projeções foram até mais conservadoras do que o esperado pelo mercado. Para o fim de 2013, houve redução da expectativa dentro do cenário de referência, de 5% para 4,9%. Como o próprio diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, afirmou que o impacto da redução na conta de energia anunciada pelo governo para o próximo ano será de 0,50 ponto porcentual para baixo no IPCA de 2013, os agentes dizem que o BC enxerga piora em outros segmentos, como para os preços livres. Mas Hamilton, ao comentar o Relatório, detalhou que a autoridade monetária vê riscos para baixo nas suas projeções de inflação em 2013.

O diretor destacou três fatores que podem influenciar as projeções para baixo: aumento menor do salário mínimo do que neste ano, da reversão do choque de commodities e perspectiva para atividade global, que tem sido revista para baixo. "O BC, aparentemente, está pensando em um crescimento moderado por muito tempo lá fora. Por isso, a alta da Selic, se ocorrer, deve ficar apenas para o fim de 2013", afirmou o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. "Mas acho que o comportamento dos preços será um pouco pior do que o projetado pelo BC. Então, ainda projeto alguma alta da Selic no próximo ano", afirmou.

Em meio a tudo isso, há praticamente consenso de que a Selic não deve cair mais em outubro deste ano. Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, a economista e consultora Zeina Latif afirmou que tanto o Relatório quanto a entrevista de Hamilton não deixaram "portas abertas para novos cortes". "Ele só continua dizendo que qualquer corte adicional será conduzido com máxima parcimônia porque o cenário externo pode trazer alguma surpresa. No mais, percebo que há certa dificuldade para explicar, inclusive, o último corte da taxa básica", disse.

Mas apesar de o BC enxergar uma contribuição desinflacionária do exterior no médio prazo, a autoridade monetária praticamente descartou um evento extremo no âmbito internacional. E hoje, ao contrário do que podia ocorrer em virtude das tensões dos últimos dias, a Espanha não adicionou nova preocupação no mercado, uma vez que prevaleceu a interpretação de que o orçamento apresentado atende às exigências da União Europeia.

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