Juros de contratos curtos caem após divulgação do Copom

IBGE divulgou que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,0% em junho, ante 7,5% em maio

Marisa Castellani, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 10h33

Os juros projetados pelos contratos futuros de DI de prazos mais curtos já caem expressivamente desde a abertura dos negócios, em movimento de ajuste técnico à decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), ontem à noite, de elevar a Selic (a taxa básica de juros da economia) em 0,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano. Esta já era a aposta amplamente majoritária do mercado, mas não consensual. Quem ainda se posicionou na possibilidade de um aumento de 0,75 ponto porcentual tem hoje correções a fazer.

 

O comunicado divulgado pelo Copom após a reunião sinalizou, segundo operadores, uma mudança significativa na percepção Banco Central (BC) sobre o cenário prospectivo para a inflação desde a divulgação do relatório trimestral, ao fim de junho, até ontem. Esta visão deverá ser aprofundada na ata da reunião, a ser divulgada na quinta-feira da próxima semana. O texto completo do comunicado diz: "Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,75% a.a., sem viés. Considerando o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos, o Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo."

 

"A sinalização clara é de que está próximo o fim do ciclo de aperto monetário", diz o estrategista chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno. "Um comunicado como esse sugere uma visão bem mais tranquila da inflação." Desde já, começa uma nova "briga boa" no mercado de juros: calibrar as apostas para a decisão de setembro, cuja ideia de alta da Selic veio minguando junto com a de julho, ao longo da última semana e meia.

 

A tendência imediata é de que a curva de juro reflita alta de apenas 0,25 ponto porcentual em setembro, mas há espaço para apostas em 0,50 ponto porcentual e até de nenhuma nova elevação no juro básico. É importante lembrar que as novas estimativas para produção industrial saíram da estabilidade para o negativo ou passaram para quedas mais acentuadas do que as previstas antes. Além disso, para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, as perspectivas também estão em torno de zero.

 

De qualquer forma, o mercado olha já para o terceiro trimestre e são os dados que apontarem para o comportamento da economia no período que vão permitir uma calibragem mais firme, ao lado do que os indicadores macroeconômicos internacionais mostrarem sobre o ritmo de recuperação da economia global - por enquanto, bastante fraco.

 

Apesar dos sinais de desaceleração da atividade interna, o emprego continua bem. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,0% em junho, ante 7,5% em maio. O resultado ficou no piso do intervalo das estimativas dos analistas, que variavam de 7% a 7,8%, e abaixo da mediana de 7,25%. Esta foi a menor taxa de desemprego da série histórica para meses de junho, segundo o instituto.

 

Também os números do rendimento médio real (descontada a inflação) não mostraram deterioração, registrando alta de 0,5% em junho ante maio e aumento de 3,4% na comparação com junho do ano passado. A massa de rendimento médio real habitual - que acompanha o mês da pesquisa - subiu 0,5% em junho ante maio e 6,7% ante junho de 2009, segundo o

IBGE. Já a massa de rendimento médio real efetiva, que sempre se refere ao mês anterior ao de referência da pesquisa, ficou estável ante abril, embora mostre alta de 6,3% ante maio de 2009.

 

Mais cedo, a FGV divulgou que o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 1,1% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, após apresentar alta de 2,0% no mês passado, ante maio. A taxa de junho foi revisada de 1,9% para 2,0%.

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