Juros de títulos americanos de dois anos sobem

Mercado trabalha na expectativa da divulgação de nova rodada de indicadores de emprego

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 18h22

Os preços dos Treasuries de prazos mais curtos fecharam em leve baixa, com respectiva alta dos juros, refletindo o movimento de ajuste dos investidores antes da divulgação dos relatórios mensais de emprego da semana: nesta quarta-feira, a consultoria ADP/MA divulga seu relatório que abrange apenas os empregos do setor privado e, na sexta-feira, o Departamento do Trabalho divulga seu dado mais amplo, que inclui o setor público. Além disso, os investidores também já iniciaram os preparativos para a rodada de leilões primários da próxima semana.

 

Mas as vendas desaceleraram ao longo das últimas duas sessões, com os yields (taxa de retorno) dos bônus oscilando ao redor dos níveis do dia anterior, na sequência das acentuadas perdas da semana passada. Contudo, muitos participantes do mercado alertaram que fortes número do mercado de mão de obra podem ser um catalisador para uma alta adicional dos yields e os juros das T-notes de 10 anos podem romper a importante marca psicológica dos 4% - o que não ocorre desde junho do ano passado.

 

A recente alta nos yields dos Treasuries sugere que a melhora na economia estão incentivando os investidores a deixarem os ativos de segurança pra buscarem investimentos de maior risco, tais como ações, que proporcionam retornos mais altos. Contudo, uma significativa alta nos yields dos Treasuries implica no aumento dos custos de empréstimos para o governo, consumidores e empresas americanas, o que pode arruinar uma recuperação sustentada da economia.

 

"Existem temores de que os números de amanhã da ADP e de sexta-feira (do Departamento do Trabalho) poderão ser fortes o suficiente para forçar o Federal Reserve a mudar sua linguagem" sobre taxas de juro em níveis baixos históricos, o que elevaria as especulações do mercado de um aperto no juro e alta dos yields dos bônus, disse Ted Ake, chefe de Treasuries do Société Générale em Nova York.

 

Os economistas entrevistados pela Dow Jones esperam que o relatório ADP/MA aponte a criação de 50 mil empregos no setor privado em março. A média das previsões para o dado do Departamento de Trabalho - o chamado payroll - é de um ganho de 200 mil vagas, depois de um declínio de 36 mil vagas em fevereiro. Para a taxa de desemprego, a previsão é de estabilidade em 9,7%.

 

"Existe um viés negativo" contra os Treasuries diante da oferta de bônus de abril, disse Tom di Galoma, chefe de transações com bônus do Guggenheim Partners em Nova York, acrescentando que o yield das T-notes de 10 anos pode subir para 4,10% durante a semana de leilões.

 

Contudo, David Rosenberg, ex-economista-chefe do Merrill Lynch e agora no comando da firma de administração de riqueza Gluskin Sheff & Associates, disse que um juro a 4% das T-notes de 10 anos representaria uma "fenomenal oportunidade de compra".

 

Rosenberg, um fã de longa data dos Treasuries, argumenta que os juros dos bônus do Tesouro americano vão cair nos próximos meses, especialmente no segundo semestre, uma vez que o crescimento econômico será fraco e a pressão inflacionária - a principal ameaça ao valor dos Treasuries de longo prazo - permanecerá contida. Ele prevê uma variação estável no crescimento anualizado no segundo semestre, observando que outra recessão - um duplo mergulho - não pode ser descartado.

 

No encerramento da sessão em Nova York, os juros projetados pelos T-bonds de 30 anos estavam em 4,755%, de 4,776% ontem; os juros das T-notes de 10 anos estavam em 3,867%, de 3,873% ontem; os juros das T-notes de 2 anos estavam em 1,063%, de 1,042% ontem. As informações são da Dow Jones.

 

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