Juros de títulos americanos seguem em baixa após leilão

Demanda por papéis foi alta em reação ao crescimento da aversão ao risco

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

27 de abril de 2010 | 16h09

Os preços dos Treasuries (títulos públicos americanos) operam em alta, com respectivo movimento inverso dos juros, com investidores buscando a segurança dos títulos norte-americanos em meio à crescente preocupação com a situação fiscal da Grécia e de Portugal e também diante de um leilão de US$ 44 bilhões em T-notes de dois anos que foi considerado bem-sucedido pelo mercado.

 

A demanda pelos títulos foi 3,03 vezes maior que a oferta e as T-notes foram ofertadas com um yield de 1,024% - levemente maior do que a taxa de 1,008% registrada pouco antes do leilão, o que significa que o governo norte-americano teve de pagar um pouco mais para comercializar seus papéis.

 

As ofertas indiretas - que incluem propostas enviadas por bancos centrais - corresponderam a 31% das vendas, em comparação a 34,8% no leilão anterior e a uma taxa média de 41,6% calculada com base nos últimos quatro leilões de T-notes de 2 anos. As ofertas diretas corresponderam a 21% das vendas, ante 13,8% no leilão anterior e ante a taxa média de 13,1% dos últimos quatro leilões.

 

"Levando em consideração o incrível rali do mercado de bônus observado antes do leilão, o resultado de hoje foi muito bom", disse Dan Greenhaus, estrategista econômico chefe da Miller Tabak em Nova York, referindo-se aos ganhos nos preços dos Treasuries provocados pela notícia de que a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou os ratings de Portugal e da Grécia.

 

O rating de Portugal foi colocado em A-, de A+, enquanto o da Grécia foi rebaixado para BB+, de BBB+. Em ambos os casos, a perspectiva para os ratings é negativa.

 

A Grécia recebe atenção dos investidores há meses e, na semana passada, o país solicitou formalmente auxílio ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia, que anteriormente haviam preparado um plano de socorro financeiro aos gregos. Portugal, no entanto, passou a ser pressionado pelos mercados apenas recentemente, provocando receios de que pode ser o próximo país da zona do euro a ser atingido por uma crise baseada em dívidas públicas.

 

Às 15h53 (de Brasília), os juros projetados pelos T-bonds de 30 anos estavam em 4,569%, de 4,666% na segunda-feira; os juros das T-notes de 10 anos estavam em 3,694%, de 3,806%; os juros das T-notes de 2 anos estavam em 0,979%, de 1,053% ontem. As informações são da Dow Jones.

 

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