Juros devolvem pessimismo exagerado com atividade

A avaliação do mercado sobre a produção industrial do mês de julho é de que o resultado não foi fraco, mas também não confirma a percepção deixada pelo resultado do PIB do segundo trimestre de que a economia estaria "paralisada". Por isso, as projeções futuras de taxas de juro reagiram em ligeira alta aos dados. O contrato com vencimento em janeiro de 2008 de Depósito Interfinanceiro de um dia negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) era negociado com taxa anual de 13,88%, ante fechamento de ontem de 13,85% e ajuste de 13,84%. Segundo operadores, havia um temor de que, depois do PIB do segundo trimestre, surgisse uma série de indicadores confirmando uma desaceleração econômica forte. E o resultado de hoje não mostrou isso. "O número não mostra crescimento explosivo, mas também não veio tão fraco", define um operador. "O componente PIB, que foi colocado no preço do mercado, deve ser devolvido hoje", diz o profissional, explicando a alta dos juros nesta manhã. Há pelo menos dois motivos para a avaliação de que a produção industrial não foi tão ruim. Embora tenha havido um crescimento de apenas 0,6% em julho ante junho, abaixo da mediana das estimativas (1%), o IBGE anunciou também que revisou de uma queda de 1,7% para uma queda de 1,3% o dado de junho ante maio. "Ou seja, é como se o resultado de julho ganhasse 0,4 ponto a mais, aproximando-se assim da mediana", explica um operador. Profissionais também destacam o bom desempenho do segmento bens de capital, que avançou 1% na margem, e 8,4% na comparação com julho do ano passado. Na comparação com mês anterior, a única categoria pesquisada a apresentar queda na produção foi a de bens de consumo duráveis (-0,2%). "Para o cenário de juros e inflação, os números vieram muito bem. Há crescimento, mas não é puxado pelo consumo", afirma um profissional. "Esses números confirmam a expectativa de que a atividade retome recuperação no segundo semestre", afirma acrescenta. Por não se tratar de um desempenho vigoroso, o mercado entende que os dados de hoje não alteram a expectativa de que o Copom prossiga na toada de redução gradual de juros. "A idéia de que pode haver pelo menos mais dois cortes de 0,25 ponto na Selic deve permanecer", afirma um operador.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 10h18

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