Juros e câmbio derrubaram indústria de transformação

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) relativos à indústria de transformação no quarto trimestre de 2005 mostram o efeito devastador dos juros e do câmbio sobre diversos segmentos. A maior queda observada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no quarto trimestre ante igual período de 2004 ocorreu em artigos de vestuário (-11 6%), com o aumento da concorrência de produtos importados em conseqüência do dólar baixo. Do lado dos investimentos, os juros elevados, mesmo em trajetória de queda, afetaram o segmento de fabricação e manutenção de máquinas e equipamentos (-4,7%). Além disso, a quebra da safra agrícola no Sul do País prejudicou os fabricantes de adubos até o final do ano e o PIB relativo a esse segmento mostrou queda de -9%. O economista Paulo Mol, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), atribui aos juros altos os problemas enfrentados pelos segmentos da indústria de transformação. Ele observou que esses segmentos dependem de um desempenho mais forte da economia para crescer. "O ano passado não foi bom, com juros muito altos e, mesmo com a redução dos juros no quarto trimestre, a recuperação da indústria de transformação será gradual", avalia. Ele explica que, enquanto a indústria extrativa mineral está mais desvinculada da demanda interna, alguns segmentos da transformação dependem muito da atividade doméstica. A gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, observou que parte dos segmentos da indústria de transformação que registraram queda no quarto trimestre coincide com os mesmos grupos que foram destaque de importações em 2005, como laminados de aço, outros produtos metalúrgicos, fabricação e manutenção de máquinas e equipamentos e produtos derivados da borracha, o que mostra o efeito negativo do câmbio, que facilitou a entrada da concorrência externa sobre esses setores. A boa notícia é que Mol espera que 2006 seja melhor para esses setores que registraram queda no último trimestre de 2005. "O nosso cenário é de recuperação gradual e moderada", alerta, acrescentando que, para este ano, "o cenário é mais positivo para a indústria de transformação", com queda dos juros, manutenção do processo de recuperação dos salários, crédito farto e aumentos dos gastos do governo. "Mas, ainda assim, este ano não será nem sombra do que foi 2004", prevê.

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