Juros fecham quase estáveis após Copom sem surpresas

As taxas futuras pouco oscilaram depois da esperada alta da Selic pelo Copom, de 0,5 ponto, para 8,5% anuais

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

11 de julho de 2013 | 16h52

Sem novidade no Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve o ritmo de alta da Selic em 0,50 ponto porcentual e repetiu o comunicado que acompanhou a decisão da noite passada, os investidores em juros repercutiram os indicadores do dia, como as vendas varejistas em maio, bem como declarações dadas na véspera pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, perto do fechamento da sessão estendida de negócios. O cenário resultou em quase estabilidade para as taxas futuras de juros nesta quinta-feira, 11.

Os investidores aguardam agora os próximos dados, como o IBC-Br de maio, índice do Banco Central chamado de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que sai na sexta, 12, e a ata da reunião da autoridade monetária, a ser publicada na próxima quinta-feira, 18.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (337.510 contratos) estava em 8,43%, de 8,46% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2014 (172.720 contratos) marcava 8,79%, ante 8,80%. O vencimento para janeiro de 2015 (239.925 contratos) indicava taxa de 9,59%, ante 9,52% na véspera. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (174.325 contratos) apontava 10,86%, de 10,82%. O DI para janeiro de 2021 (6.205 contratos) estava em 11,26%, igual ao ajuste anterior.

Pela manhã, as taxas futuras chegaram a cair, diante de indicadores de inflação mais fracos e da melhora do ambiente externo. No entanto, como os juros mais longos haviam devolvido alguns prêmios na sessão estendida do dia anterior não tiveram força para manter o sinal de queda, explicou um profissional da área de renda fixa. Além disso, as oscilações do dólar acabaram influenciando os negócios com juros. Na medida em que a moeda se firmou em queda diante do real, no meio da tarde, algumas taxas de juros voltaram a cair levemente.

Quanto à inflação, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,16% na primeira leitura de julho, após avançar 0,32% no encerramento de junho. O resultado ficou abaixo do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, de 0,17% a 0,34%.

Por outro lado, as vendas varejistas em maio vieram melhores do que o esperado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no conceito restrito ficaram estáveis em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. O resultado foi melhor do que a mediana projetada, de -0,30%. Os números podem piorar no curto prazo. A economista do IBGE, Aleciana Gusmão, explicou que a recente onda de protestos populares deve se refletir nas próximas pesquisas mensais do comércio. Para ela, também deve ter impacto sobre as vendas a disparada do dólar, que, por sua vez, alimenta um cenário de inflação elevada.

No exterior, o ambiente é de calmaria. As declarações de Bernanke, de que os esforços de estímulo econômico serão mantidos por algum tempo, provocaram alta das Bolsas e das commodities e queda do dólar e dos juros dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) nesta quinta-feira.

Tudo o que sabemos sobre:
jurosfechamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.