Juros futuros abrem em alta, na contramão do dólar

Às 9h35, o contrato de DI futuro para janeiro de 2014 estava na máxima, a 9,25%, de 9,23% no ajuste de ontem

Fernando Travaglini, da Agência Estado,

10 de setembro de 2013 | 09h52

Os juros futuros negociados na BM&FBovespa abriram a terça-feira, 10, em alta, na contramão do dólar, que opera em queda ante o real. O descolamento entre os dois mercados, que vinham andando juntos há várias semanas, se deve à surpresa negativa com a prévia do IGP-M de setembro, que teve forte aceleração para 1,02%, vindo de 0,13% em agosto, e também às melhoras das condições internacionais à medida que surgem notícias de que a Síria teria aceitado ceder suas armas químicas à comunidade internacional, em acordo costurado pela Rússia.

Às 9h35, o contrato de DI futuro para janeiro de 2014 estava na máxima, a 9,25%, de 9,23% no ajuste de ontem, enquanto o DI janeiro de 2015 era negociado a 10,34%, de 10,29% no ajuste de ontem. Na parcela longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2017 avançava para 11,59, de 11,52% na véspera. No mesmo horário, o dólar à vista no balcão estava cotado a R$ 2,2660 (-0,48%). Os juros dos títulos públicos norte-americanos (treasuries) de dez anos estavam na máxima do dia, a 2,9620%.

A primeira prévia do IGP-M, divulgado nesta terça-feira, 10, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), superou o teto do intervalo das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam de alta de 0,53% a 0,93%. A inflação no setor agropecuário subiu 2,22%, após queda de 0,51% na primeira prévia de agosto. A inflação industrial atacadista também teve forte avanço, de 1,13%, ante 0,40%.

Também hoje, o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), calculado FGV, subiu em cinco das sete capitais pesquisadas na primeira quadrissemana de setembro em relação à última leitura de agosto. O IPC-S avançou de 0,20% para 0,25% entre os dois períodos.

Diferentemente de segunda-feira, 9, quando dados vindos da China foram superados em importância pela tensão na Síria, hoje o cenário é mais favorável, com chances reais de uma saída diplomática para o impasse envolvendo as armas químicas do país árabe. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sugeriu que o presidente sírio, Bashar Assad, entregue o arsenal à comunidade internacional a fim de evitar um ataque militar. A Rússia já trabalha em um plano concreto para este fim, enquanto a França deve propor uma resolução ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

As bolsas europeias atingiram as máximas da sessão, o dólar ganhou força frente ao iene e o euro e o petróleo ampliou as quedas após a divulgação de informações de que a Síria teria concordado com a proposta da Rússia para entrega seu arsenal de armas químicas à supervisão internacional. Pela manhã, às 8h20, Londres subia 0,95% e Frankfurt avançava 1,88%, enquanto o dólar tinha alta para 100,30 ienes. O petróleo para outubro negociado na Nymex caía 1,19%, para US$ 108,22 por barril, e o brent para outubro recuava 0,78% na ICE, para US$ 112,83 por barril.

As expectativas agora se concentram no pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, previsto para às 22 horas. Em entrevista à CNN ontem à noite, Obama declarou que recuaria do ataque militar se a Síria entregasse as armas químicas.

Com a menor apreensão por um ataque militar, os dados chineses divulgados hoje serviram de combustível para o bom humor dos mercados financeiros. Números melhores que o esperado sobre produção industrial, vendas no varejo e investimento reforçam a avaliação de que a segunda maior economia do mundo se recupera após o tropeço visto meses atrás.

Pequim anunciou que a produção industrial da China cresceu 10,4% em agosto, na comparação com igual mês do ano passado, acima das expectativas (9,9%). As vendas no comércio cresceram 13,4% ante o observado um ano antes e mostra aceleração em relação à expansão de 13,2% vista em julho. Também cresceu o investimento na economia. A alocação de recursos em ativos fixos não rurais saltou 20,3% no período de janeiro a agosto, na comparação com os mesmos oito meses de 2012.

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