Juros futuros abrem em baixa na BM&F

O mercado de juros, como os demais, deve passar esta terça-feira totalmente "colado" ao cenário externo, praticamente ignorando dados domésticos. Mas se ontem foi um dia de estresse generalizado pelo mundo afora, hoje o dia começa mais ameno. Os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos sobem levemente, o que, na leitura invertida feita do comportamento dos papéis neste momento de volatilidade, significa um alívio, ao menos momentâneo, na corrida pela compra de ativos de menor risco. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a maioria dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) abriu em baixa. O DI mais negociado (janeiro de 2008) projetava taxa de 15,28% ao ano, ante os 15,37% de ontem. O dólar está em queda de mais de 1%, o risco País também cai (para 271 pontos-base). Os futuros de Nova York apontam para abertura em alta no mercado acionário norte-americano. Além disso, aparentemente, quem partiu para a zeragem de posição o fez ontem e saiu do mercado para observar. Torna-se menos provável uma "zerada" de igual proporção hoje. O destaque na agenda desta terça-feira, embora ninguém saiba se haverá algo de concreto para o mercado, é o depoimento do presidente do Federal Reserve (o banco central norte-americano), Ben Bernanke, às 11 horas (de Brasília) sobre educação em finanças no Comitê de Bancos do Senado, em Washington. Pelo tema proposto e pelo perfil do presidente do Fed, aparentemente não haverá novidades em termos de declarações sobre inflação e/ou política monetária dos EUA. Mas, pelo sim, pelo não, os mercados estarão atentos. Na semana, o dado mais aguardado é o núcleo do índice de preços dos gastos com consumo pessoal. O índice integra o relatório de renda pessoal e gastos com consumo (personal-consumption expenditure, ou PCE, em inglês), e será divulgado na sexta-feira. É o dado preferido do Fed para monitorar a inflação nos EUA. A previsão de economistas consultados pela MarketWatch é de aumento de 0,2% para o núcleo do índice de preços PCE em abril, após elevação de 0,3% em março. Este dado, sim, poderá dar origem a novo terremoto nos mercados se vier ruim. Desde ontem o Tesouro avisou que não haverá hoje o leilão de venda de NTN-B (títulos pós-fixados indexados à inflação do IPCA) que constava originalmente do cronograma. O cancelamento, por conta das condições do mercado, inscreve-se na disposição do Tesouro de não aceitar preços de estresse para vender seus papéis. Mas o fato é que, neste mês de maio em que o mercado apresentou vários momentos de volatilidade forte, o Tesouro conseguiu rolar pouco do total de vencimentos de R$ 30,8 bilhões. Ontem, o secretário do Tesouro, Carlos Kawall, afirmou que a estratégia de financiamento da dívida pública para junho será discutida e anunciada no final desta semana. A expectativa do mercado (que já não é de ontem) é de que as ofertas de papéis pós-fixados (LFTs) sejam retomadas. Kawall deu uma leve sinalização nesse sentido, ao dizer que, respeitando-se os limites do Plano Anual de Financiamento (PAF), há um espaço para a colocação de R$ 90 bilhões destes papéis (pós) até o fim do ano. Uma colocação acima disso, segundo ele, "vai depender das condições do mercado e da demanda pelos papéis". Quanto as apostas para o Comitê de Política Monetária (Copom), a volatilidade só fez reforçar as apostas de um corte menor na taxa Selic, de 0,50 ponto porcentual. Ontem, parte da "zerada" de posição veio de quem ainda tinha esperanças de corte maior, de 0,75 ponto percentual. Por conta da zerada forte, a curva de juros até precifica um corte um pouco menor do que 0,50 ponto percentual, mas operadores ouvidos agora cedo não consideram que isso seja um sinal de crescimento da idéia de que o Copom possa manter o juro básico estável, sem corte, no dia 31 de maio. Hoje cedo foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) da terceira quadrissemana de maio, que ficou abaixo do piso das previsões de mercado. O indicador mostrou alta de apenas 0,01% até a quadrissemana encerrada em 22 de maio. As estimativas dos analistas ouvidos variavam de 0,05% a 0,25%, com mediana em 0,17%. Mas o dado não mexe com os negócios, embora pudesse reforçar o alívio visto neste começo de dia. O mercado só tem olhos para o exterior.

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