Juros futuros abrem negócios de olho no Fomc

Mercado aguarda possíveis novas medidas de estímulo para a economia dos Estados Unidos

Patrícia Lara, da Agência Estado,

20 de junho de 2012 | 10h42

Os contratos futuros de juros abriram nesta quarta-feira ensaiando uma alta nas taxas, mas o movimento não mostra vigor. Com os indicadores de peso da economia doméstica reservados só para a quinta-feira (IPCA-15 e taxa de desemprego), o mercado acompanha o compasso de espera que define os movimentos dos ativos no exterior. Segundo uma fonte, o mercado futuro local de juros ainda não antecipou muito do potencial efeito que novas medidas de estímulo para a economia dos Estados Unidos poderão ter na esfera global. Caso iniciativas novas sejam confirmadas na reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc), que termina nesta quarta-feira, os vértices mais longos tendem a reintegrar prêmios. Mas tudo dependerá da magnitude dos estímulos. No caso de o Fed frustrar as expectativas, não está descartada nova queda das taxas futuras de juros.

"Não tem nada de agenda doméstica e o mercado opera em compasso de espera", disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB no Brasil, que foi vendido para o grupo japonês Mizuho Financial, conforme confirmado nesta quarta-feira. "O mercado de juros doméstico não antecipou muito o efeito de potenciais medidas nos EUA, já que houve queda das taxas nos últimos dias. Se tiver algo de estímulo mais forte do que o esperado, as taxas devem subir", completou. "Mas se o Fed decepcionar, as taxas devem fechar ainda mais, pois ficaria a preocupação de que os Bcs não estão agindo na velocidade que o mercado gostaria para dar segurança", completou.

Os analistas esperam que o Fomc prolongue a chamada Operação Twist, procedimento por meio do qual há venda de títulos de curto prazo em troca de compra de títulos longos, o que suaviza a inclinação da curva de juros. Suavização da inclinação da curva se traduz em um horizonte de maior previsibilidade para estimular que as empresas e os consumidores assumam financiamentos de longo prazo, sejam eles imobiliários ou de investimentos. Outra alternativa citada é a de o Federal Reserve recomprar títulos lastreados em hipotecas.

Além da decisão do Fomc, saiu nesta quarta-feira a informação de que o líder do partido conservador Nova Democracia, Antonis Samaras, deve ser empossado nesta quarta-feira como primeiro-ministro da Grécia, de acordo com a emissora estatal de televisão Net.

Na agenda doméstica, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) de junho apontou queda de 0,5% em relação ao resultado de maio (0,1%), conforme a prévia da Sondagem Industrial da FVG, o que representaria a primeira queda na margem do indicador em oito meses. E os dados seguem sem apontar melhora sobre o nível de endividamento das famílias. O número de cheques sem fundos sobre o total emitido no País subiu de 2,08% em abril para 2,20% em maio, o maior porcentual registrado para o quinto mês do ano desde 2009, quando o volume foi de 2,52%, mostra pesquisa da Serasa Experian.

Na terça-feira, as taxas futuras de juros longas terminaram o dia abaixo dos patamares registrados perto do horário do almoço. Em evento em São Paulo, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ressaltou que o Brasil voltará a crescer no curto prazo, a ponto de o Produto Interno Bruto (PIB) registrar uma expansão de 4% no último trimestre deste ano ante os mesmos três meses de 2011.

Esse prognóstico é o mesmo que consta da pesquisa Focus para o trimestre e não trouxe nada que indicasse otimismo do presidente do BC. Na Focus, segundo Rostagno, a projeção para a expansão do último trimestre do ano é exatamente de 4% ante o mesmo período de 2011. "Apesar de a economia estar patinando agora, ele está otimista com relação ao cenário para mais perto do final do ano, quando a economia estaria rodando em um ritmo mais forte. O número está dentro do esperado pelo mercado", disse.

Às 10h26, a taxa do contrato futuro de janeiro de 2013 indicava 7,73%, ante 7,71% no ajuste. Entre os vencimentos longos, o contrato para janeiro de 2021 apontava 10,14%, ante 10,13%. O nível de 10,14% do ajuste de ontem ficou abaixo do 10,19% no horário do almoço e do 10,29% no ajuste da segunda-feira, indicando que o mercado não se influenciou pelo suposto "otimismo" de Tombini.

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