Juros futuros abrem perto da estabilidade após ata do Copom

Documento do comitê do Banco Central indica que taxa Selic terá alta 'suficientemente prolongada' a partir de agora

Patrícia Lara, da Agência Estado,

28 de abril de 2011 | 09h42

Os contratos futuros de juros abriram o dia próximos da estabilidade, após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). No documento, o BC informa que o ajuste total da Selic (a taxa básica de juros da economia) será "suficientemente prolongado". Além disso, o BC acrescenta ao cenário um aumento de preços da gasolina em 2011, o que contrasta com a previsão anterior, de preços estáveis ao longo deste ano.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, assegurou ontem que nos EUA, o juro segue entre zero e 0,25% por um "período prolongado". Não anunciou a terceira edição do alívio quantitativo para alívio do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas esquivou-se de dar data para iniciar o "aperto quantitativo 1". Ou seja, o dinheiro que está no sistema financeiro dos EUA, seguirá buscando paradas melhores.

Na decisão do último encontro do Copom, "diante das incertezas quanto ao grau de persistência das pressões inflacionárias recentes, e da complexidade que envolve hoje o ambiente internacional", as autoridades consideram que o ajuste total da taxa básica de juros deve ser, a partir desta reunião, "suficientemente prolongado." Esse trecho municia análise de que o ciclo de aperto monetário aqui terá durabilidade maior, mas resta saber quanto de medidas macroprudenciais virão para definir o quão suficientemente prolongado será o atual ciclo.

E o documento traz outra sinalização importante. A gasolina pode subir. Um desdobramento, que se materializado, dará impulso para a inflação, mas refreará o consumo de outros itens. No parágrafo 14, o BC alterou seu cenário central para os preços da gasolina. Agora, trabalha com uma previsão de reajuste de 2,2% nos preços domésticos da gasolina para 2011. Na ata anterior, no parágrafo 13, o cenário central com o qual o Copom trabalhava previa preços domésticos da gasolina constantes nos níveis atuais para 2011. É o efeito da alta dos preços internacionais do petróleo. O preço do gás de bujão, para o mesmo período, segue com previsão de estabilidade e as projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2011, foram mantidas em 2,9% e 2,8%, respectivamente. Em relação às demais commodities, o BC viu moderação dos preços internacionais.

O Copom pondera que, embora esteja em curso moderação, em ritmo ainda incerto, da expansão da demanda doméstica, são relativamente favoráveis as perspectivas para a atividade econômica. Mesmo com a gestão atenta do BC, o Copom considerou que a expansão da oferta de crédito tende a persistir, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. Diante do quadro, o Copom entende que o cenário prospectivo para a inflação não evoluiu favoravelmente desde sua última reunião.

O BC segue identificando riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta e traz um retrato realista para o IPCA de 2011 e 2012. Nos cenários de referência e de mercado, o índice fica acima de 4,5%. Mas no cenário alternativo, o IPCA de 2011 está acima de 4,5%, mas em 2012 está em torno de 4,5%.

No único dado de inflação do dia, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) variou 0,45%, em abril, ante 0,62% no mês anterior, e ficou abaixo do piso esperado pelos analistas (0,47%). Dentro do dado, as matérias-primas brutas passaram a indicar uma queda de 0,57%. Um sinal positivo para acalmar as apreensões sobre inflação.

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