Juros futuros abrem perto da estabilidade em dia de Copom

Com o dólar em queda no exterior e também em relação ao real, permanecem as expectativas de que o Comitê de Política Monetária aumente a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual hoje, para 12% ao ano

Patricia Lara, da Agência Estado,

20 de abril de 2011 | 10h35

Os contratos futuros de juros abriram o dia próximos da estabilidade, à espera da decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sobre a Selic (a taxa básica de juros da economia). Pela manhã, foi divulgado o último dado que poderia mudar as projeções para a decisão de política monetária, que sai no fim do dia. Segundo informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou inflação de 0,77% em abril, o que indica uma aceleração ante a taxa de 0,60% de março.

O resultado, no entanto, ficou em linha com a mediana das expectativas dos analistas e não deve ter força para alterar o desfecho do encontro do Copom. Com o dólar em queda no exterior e também em relação ao real, permanecem as expectativas de que o BC aumente a Selic em 0,25 ponto porcentual hoje, para 12% ao ano. O quadro das probabilidades no fim do dia de ontem, que leva em conta as projeções dos analistas, mostrava 79% de chance de uma alta de 0,25 ponto porcentual da Selic hoje e de 21% de alta de 0,50 ponto porcentual.

Desde a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, no dia 30 de março, o mercado passou a trabalhar com o 0,25 ponto porcentual como uma aposta mais provável para o encontro do Copom. Mas sem ancoragem das expectativas sobre o comportamento de preços, o mercado futuro de juros intercalava prognósticos de elevação de 0,25 ponto com o resgate da ideia do 0,50 ponto em alguns momentos. No entanto, a maior valorização do real ante o dólar acabou por trazer o cenário de alta de 0,25 ponto porcentual como o mais provável.

"O IPCA-15 em linha com o consenso do mercado, teria impacto nulo. Mas o câmbio ajuda a favorecer as projeções benignas do BC indicadas no Relatório Trimestral de Inflação", comentou Luciano Rostagno, da CM Capital Markets. "O governo quer usar essa prerrogativa das medidas macroprudenciais e deve reduzir a magnitude de alta da Selic nesta reunião. Não significa que acabe. Deve vir 0,25 ponto hoje e mais 0,25 ponto em junho", afirmou Paulo Rebuzzi, da Ativa Corretora.

Na Europa, a valorização das bolsas supera 2%, repercutindo os resultados dos leilões de títulos feito hoje por Portugal e Espanha, além dos balanços das norte-americanas Intel e IBM, divulgados ontem à noite. Espanha e Portugal, no entanto, tiveram de pagar taxas maiores aos investidores para vender seus papéis.

Às 10h02 (horário de Brasília), o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2012 registrava taxa de 12,24%, ante taxa de 12,26% do fechamento de ontem. Já o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,64%, a mesma de ontem.

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