Juros futuros abrem sem direção comum com fala de Meirelles

Na pesquisa Focus, divulgada hoje, projeção da Selic para fim de 2010 subiu de 11,50% para 11,75%

Patricia Lara, da Agência Estado,

26 de abril de 2010 | 10h33

Declarações do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que alertou ontem os mercados para que não tentem encontrar "sinais" sobre a magnitude de uma eventual alta de juro nos relatórios trimestrais de inflação e atas divulgados anteriormente pela autoridade monetária acresce mais um fator de incerteza à polarização dos agentes sobre qual será o rumo da taxa básica de juros (Selic), e o mercado de juros futuros abriu sem direção definida nos contratos de depósitos interfinanceiros (DI) hoje. "A mensagem que eu daria aos players é de que não tentem ler nas entrelinhas do que o Banco Central disse nas atas ou no relatório de inflação (e tentem encontrar) um sinal dado por um membro ou por outro. Não há sinais", disse Meirelles. Mas o mercado polarizado busca sinais nesses últimos dias que antecedem o encontro do Copom.

 

"O comentário deve dar confiança para investidores que apostam em uma alta mais agressiva (0,75 ponto porcentual). Eles têm um argumento a mais, já que sugere que o BC pode não se ater ao plano de voo traçado anteriormente e que significaria uma alta de 0,50 ponto porcentual. Mostra que o BC trabalha com flexibilidade para definir", disse o economista de uma corretora ativa no segmento de DIs, mas sem autorização para ser identificado. "E a Focus mostra que houve alta nas expectativas de inflação para o ano e previsão de aumento maior da Selic até o final do ano", ponderou.

 

Na última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central antes do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), os agentes indicaram que trabalham com uma previsão de que a calibragem dos juros será mais incisiva neste ano. A projeção da Selic para fim de 2010 subiu de 11,50% para 11,75%. Para o início do processo de aperto monetário previsto para quarta-feira, a projeção seguiu sendo de elevação de 0,50 ponto porcentual, para 9,25%.

 

Os contratos com vencimentos mais curtos abriram indicando alta, enquanto os contratos com vencimentos mais longos apresentam queda. Mas há ainda três dias de negócios até que o Copom comunique sua decisão sobre a Selic. "Desde a última reunião de março, houve uma deterioração das expectativas de inflação", destacou o operador, observando que esse vetor não foi captado no relatório trimestral de inflação e na ata. "O BC está dando a mensagem de que tem ampla flexibilidade sobre o que pode fazer com a Selic. Eles podem ter tido um plano de voo, mas já alertavam que a magnitude seria definida a cada reunião. A cada 45 dias, reavaliam a situação e não tem nada previamente agendado."

 

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