Juros futuros abrem sem direção definida

O mercado de juros futuros abriu sem uma direção definida nesta manhã nos contratos de depósitos interfinanceiros (DI), de olho no setor externo, que deve direcionar os negócios que antecedem a divulgação dos dados de crédito em janeiro, que servirão como nova referência sobre o ritmo da economia local. E o ambiente no exterior é revestido pela cautela antes do depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke, no Congresso: as bolsas oscilam perto da estabilidade, enquanto os títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) e as moedas encontram-se praticamente nos níveis de fechamento de ontem. Mas a percepção é que o chefe máximo da autoridade monetária dos EUA evitará fazer comentários que deem suporte a estratégias ligadas a risco mais elevado, enquanto já mostrou que começou a tirar parte das medidas emergenciais aos bancos.

Patricia Lara, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2010 | 10h31

 

Ao mesmo tempo, a deterioração do sentimento no meio empresarial alemão, dos consumidores nos EUA e a queda do consumo na França, como mostraram dados divulgados ontem, dão força à percepção de que a economia pode ainda demorar para se estabilizar sem as medidas de apoio dos governos.

 

No Brasil, a confiança do consumidor também piorou, enquanto o dado da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) respalda sinais de perda de ímpeto dos aumentos de preços.

 

O Banco Central divulgará os números de janeiro do mercado de crédito, às 10h30. No documento, é detalhado o comportamento dos empréstimos do sistema financeiro e a evolução das taxas de juros e inadimplência. Em reunião com agentes do mercado em São Paulo, diretores do Banco Central comentaram sobre o ritmo forte da concessão do crédito de

fevereiro. Embora o dado de hoje seja referente a janeiro, os números podem dar uma ideia desse vigor.

 

Enquanto os números do crédito são destaques do dia no mercado doméstico, os investidores receberam o dado que revelou piora da confiança do consumidor em fevereiro. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) apresentou taxa negativa de 2,2% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal. Essa taxa ficou abaixo da apurada no mês passado, quando o

índice subiu 0,6% na comparação com mês anterior. Segundo a FGV, em fevereiro houve piora tanto das avaliações sobre a situação atual quanto das expectativas para os próximos meses.

 

O dado da inflação na cidade de São Paulo, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), também apontou sinais de desaceleração da alta de preços. O índice ficou em 0,85% na terceira quadrissemana de fevereiro, ante a alta de 1,09% da quadrissemana anterior e do avanço de 1,16% apurado no mesmo período de janeiro.

 

No exterior, o presidente do Fed, Ben Bernanke, deve reiterar que a taxa de juros básica - determinada pelos Fed Funds - deve seguir baixa, mas não deve fazer declarações que estimulem operações mais arriscadas. Bernanke fala sobre política monetária, a partir das 12 horas, em seu depoimento semestral no Congresso, no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes.

 

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