Juros futuros avançam após relatório trimestral de inflação

Documento trouxe piora nas projeções do IPCA para 2011 e 2012

Márcio Rodrigues, da Agência Estado ,

29 de junho de 2011 | 16h55

As projeções das taxas de juros dos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) voltaram a subir hoje, em reação ao Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central (BC) e ao cenário externo. O documento de junho do BC trouxe uma piora nas projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2011 e 2012, além de indicar diversos riscos para a convergência dos preços ao centro da meta, de 4,5%, o que ampliou as chances de a taxa Selic (juro básico da economia) sofrer novos ajustes neste ano, além do 0,25 ponto porcentual dado como certo para julho. A aprovação das medidas de austeridade pelo Parlamento grego pôs as bolsas internacionais e as commodities no sentido de alta, o que também contribuiu para uma abertura dos DIs.

Ao término da negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o DI com vencimento em outubro projetava taxa de 12,34% ao ano ante 12,33% no ajuste de ontem (22.840 contratos negociados). O DI para janeiro de 2012, com 491.075 contratos negociados, projetava 12,44% ao ano, de 12,41% ontem, enquanto o DI para janeiro de 2014 (86.730 contratos negociados) apontava 12,54% ao ano, de 12,51% ontem. Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2017 (18.630 contratos negociados) ia para 12,29% ao ano, de 12,27% no ajuste da véspera, enquanto o DI de janeiro de 2021, com 2.365 contratos negociados, projetava 12,18% ao ano, de 12,15% na véspera.

Os analistas se mostraram surpresos com as elevações das projeções do IPCA de 2012. De acordo com o relatório, no cenário de referência, a projeção do índice de 2012 subiu de 4,6% para 4,8%; no de mercado, de 4,6% para 4,9%. Para este ano, também no cenário de referência, a previsão de inflação passou de 5,6% para 5,8%. O economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, destacou que essa piora veio acompanhada de uma análise, por parte do BC, de que há "sinais mais favoráveis no cenário prospectivo de inflação". "Essas informações contraditórias deixam dúvidas sobre a quantidade de ajustes que ainda serão feitos na Selic. As projeções continuam dependentes dos indicadores que serão conhecidos até agosto", disse.

À tarde, o Tesouro Nacional informou que o superávit primário do governo central atingiu R$ 4,118 bilhões em maio. Mais cedo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho teve recuo de 0,18% em junho, após avançar 0,43% em maio - o primeiro resultado negativo para o IGP-M de um mês desde dezembro de 2009, quando houve deflação de 0,26%.

Além do fator Grécia, o petróleo contou com impulso extra dos estoques da commodity nos Estados Unidos, que caíram 4,375 milhões de barris na semana até 24 de junho, ante projeção de queda de 1,6 milhão barris. O petróleo WTI para agosto avançou 2,02% a US$ 94,77 por barril na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês).

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