Juros futuros avançam, com Meirelles e IGP-M

Os comentários do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, sobre a manutenção de um crescimento sólido do Brasil, com base no mercado interno, devem incidir como um suporte para altas na curva de juros nesta manhã. A reação tem ainda o impulso do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que apontou um sinal forte de alta nos bens finais (2,27%). O ambiente mais propício ao risco é nítido no exterior, com a expectativa de ajuda à Grécia e um dado robusto da China. Em meio ao cenário atual de apreensão sobre os riscos dos países "periféricos" europeus, Portugal estreitou a projeção de preços de seus bônus, em um indício de que a demanda pelos ativos está forte.

Patricia Lara, da Agência Estado ,

10 de fevereiro de 2010 | 10h35

 

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Meirelles insistiu que essa nova etapa de desdobramentos da crise financeira já estava no radar dos governos, mas garantiu que o Brasil mantém um crescimento sólido, baseado no mercado interno. "A visão dele é que há uma correção e não uma mudança de cenário com esses últimos fatos. Ele expressou que vê mais uma correção do excesso de euforia e não uma mudança de cenário de recuperação da economia local, que, por enquanto, na percepção dele, não tem impacto benéfico na inflação", ponderou um analista.

 

Na entrevista, Meirelles se esquivou de oferecer sinais sobre análises que apontam para a necessidade de uma alta na taxa de juros e traçou um cenário benigno para a economia brasileira. Ele defendeu a preservação da política monetária, de câmbio flutuante e de metas de inflação, e avaliou que são poucas as possibilidades de modificações pelo próximo governo.

 

O IGP-M subiu 0,98% na primeira prévia de fevereiro, com forte aceleração em relação à primeira prévia de janeiro (0,27%), segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa ficou dentro das estimativas dos analistas, que esperavam uma elevação entre 0,43% e 1,14%. Um ponto importante do levantamento foi a alta dos bens finais, que subiram 2,27% na primeira prévia de fevereiro, em comparação com o avanço de 0,67% na primeira prévia de janeiro.

 

Os preços dos produtos industriais no atacado tiveram aumento de 1,81%, em comparação com a alta de 0,36% na primeira prévia de janeiro. "Aumenta a chance de repasse para o consumidor em um cenário de demanda interna aquecida, e é uma pressão adicional para trazer a elevação da Selic para março ou abril", observou um analista de uma corretora paulista.

 

Além do IGP-M, o dia reserva os indicadores industriais relativos a dezembro de 2009, a serem divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa traz dados sobre a evolução do faturamento, das horas trabalhadas na produção, do emprego, da remuneração paga e do nível de utilização da capacidade instalada na indústria (Nuci), além do desempenho

desses indicadores em 19 setores da indústria de transformação. O Nuci é o vetor-chave para o mercado de juros, que monitora a velocidade de preenchimento da capacidade como um componente para calcular o fechamento do hiato do produto.

 

O quadro externo é menos tenso nesta manhã, reverberando as medidas fiscais tomadas pelo governo grego e o potencial apoio da Alemanha para moldar um pacote de ajuda "europeu" ao país. Enquanto o mercado convive com os riscos fiscais da Grécia e de outros países europeus, a China, por sua vez, cumpriu o seu papel de locomotiva econômica no pós-crise e anunciou um crescimento recorde de 85,5% das importações em janeiro, em base anual, enquanto as exportações avançaram 21%, abaixo do previsto.

 

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