Juros futuros caem após Dilma falar de inflação

A afirmação da presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira, em Durban, de que "não acredita em políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico" reduz as apostas de elevação da Selic refletidas na curva de juros. As taxas futuras, que já caíam desde a abertura, acentuaram o movimento imediatamente após as palavras da presidente.

RENATA PEDINI, Agencia Estado

27 de março de 2013 | 11h53

Segundo uma fonte, Dilma fez um diagnóstico equivocado ao relacionar aumento da inflação no Brasil à choque externo."A inflação no mundo está baixa e o choque externo parece que só pegou o Brasil", disse o profissional, ressaltando que o País registra forte alta de preços em serviços. "O problema vai muito além de choque externo, passa por mercado de trabalho apertado, falhas em infraestrutura, política fiscal expansionista e política monetária leniente", afirmou ele.

A mesma fonte chamou a atenção para o fato de Dilma, ao dizer que não costuma comentar pressão inflacionária, não só comentou como disse, nas palavras dela, "deixo para o ministro da Fazenda". Para o profissional, "quem deveria falar é o BC. Fica claro que esse BC não tem autonomia".

Em terceiro, disse a fonte, fica a dúvida se ela não concorda com aumento de juros ou choque de juros para controlar a inflação. "Ela disse que ''não acredita''. Aumento de juros, sim, afeta crescimento, mas ela não quantificou. Fica a dúvida se não vai deixar o BC subir os juros ou se vai deixar, desde que seja pouco. Mas o BC não tem autonomia", completou.

Às 10h42, na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2013 projetava taxa de 7,13%, na mínima, de 7,17% no ajuste de terça-feira. O DI para janeiro de 2014 marcava 7,74%, de 7,79% no ajuste. O contrato com vencimento em janeiro de 2015 marcava 8,44%, mínima, de 8,52% e o contrato para janeiro de 2017, 9,27%, ante 9,33%. Minutos antes, a curva a termo refletia redução de apostas em alta da Selic em abril, mas ainda precificava 35% de chance de ajuste no mês que vem e 100% de chance em maio.

Mais cedo, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que perdeu força em março, ao ficar em 0,21% na comparação com fevereiro (0,29%), e veio abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro (0,30%), favorecia viés de baixa. Também pesa sobre as taxas futuras o pessimismo externo.

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