Juros futuros caem após Focus e IPC-S

IPC-S subiu 0,47% até a quadrissemana encerrada em 22 de maio, taxa menor que a variação de 0,64% apurada até 15 de maio

Patricia Lara, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 10h44

A retomada dos negócios no exterior, com sinal negativo, para ativos percebidos como mais

arriscados deve seguir contribuindo para o ajuste em baixa das taxas de juros de vencimento no curto e no médio prazo. Mas os dados divulgados hoje no Brasil são citados como fatores que podem direcionar o mercado.

 

O número mais ameno de inflação doméstica e o resultado da pesquisa Focus, que não trouxe alterações sobre os prognósticos para os horizontes de 12 meses e para 2011 no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) contribuem para alimentar a expectativa de que o Banco Central (BC) pode agir com parcimônia em seu ciclo de aperto monetário. Nos juros de longo prazo, investidores tendem a seguir pedindo mais prêmios de risco para se posicionarem nestes ativos.

 

O exterior abriu o dia digerindo a notícia de que o Banco da Espanha assumiu o controle, no fim de semana, do banco de poupança CajaSur, segunda instituição espanhola a entrar em colapso financeiro desde o início da crise global, há mais de dois anos. O banco tem 13 bilhões de euros (US$ 16,35 bilhões) em empréstimos e detém 0,6% do total de ativos do sistema financeiro espanhol.

 

Em nota, o banco central disse que o colapso do CajaSur não afetará o sistema bancário espanhol como um todo, mas a notícia punia os papéis de bancos espanhóis e adicionava um fardo à Bolsa de Madri, que perdia 2%, ante recuos mais amenos em outros mercados da Europa.

 

O resgate bancário espanhol ofuscou a aprovação, do presidente alemão, Hörst Koehler, à contribuição de até 147,6 bilhões de euros ao pacote de 750 bilhões de euros destinado aos países da zona do euro em risco.

 

Na esfera dos negócios com títulos soberanos, o Tesouro dos Estados Unidos promove, ao longo da semana, leilão de venda de papéis no montante equivalente a US$ 113 bilhões, distribuídos em três vencimentos, um fator que, normalmente, estimula venda dos papéis no secundário e correlata alta dos juros projetados. No entanto, hoje os preços dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) sobem, com a demanda pelos papéis sendo atribuída ao ambiente de insegurança no exterior.

 

No Brasil, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) perdeu força, segundo informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice subiu 0,47% até a quadrissemana encerrada em 22 de maio, taxa menor que a variação de 0,64% apurada até 15 de maio. Ainda segundo a FGV, este foi o menor resultado para o índice desde a quarta semana de dezembro de 2009, quando a alta foi de 0,24%.

 

Dentro da pesquisa Focus, as projeções para 2011 e para o horizonte de 12 meses ficaram estáticas. O mercado reiterou a previsão de IPCA em 4,80% em 2011 e do índice suavizado para 12 meses à frente em 4,81%. Também ficaram sem alterações o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Administração (IPC-Fipe), em 4,50%, e o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) (5%) de 2011. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) para o próximo ano oscilou de 4,98% para 5%. Em relação a 2010, o IPCA avançou de 5,54% para 5,67% e também houve deterioração das expectativas para os IGPs, enquanto o prognóstico para o IPC caiu de 5,50% para 5,45%.

 

Após o Ministério do Planejamento elevar, na semana passada, sua projeção para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, de 5,2% para 5,5%, a pesquisa Focus trouxe nova elevação para o comportamento da economia, com a previsão para o PIB saindo de 6,30% para 6,46%. Em relação ao próximo ano, os agentes ainda não mudaram suas estimativas de evolução de 4,5% para o PIB.

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