Juros futuros caem após pesquisa Focus

Projeções para o IPCA no final de 2011 ficaram inalteradas em 4,80%, sem nova deterioração

Patricia Lara, da Agência Estado,

19 de abril de 2010 | 10h50

A penúltima pesquisa Focus antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não trouxe mudanças quanto ao prognóstico para o aperto inicial da taxa básica de juros (Selic) em abril, enquanto as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no final de 2011 ficaram inalteradas em 4,80%, sem nova deterioração. Esses dois fatores influenciaram a abertura do mercado de juros futuros, com a queda dos contratos de depósitos interfinanceiros (DI). Os contratos também devem se mostrar sensíveis à redução de prêmios em meio à cautela externa provocada pelo impacto da erupção do vulcão islandês e das informações sobre supostas fraudes do Goldman Sachs. Medidas restritivas para o setor imobiliário chinês também se somam aos motivos que retraem o apetite do investidor por commodities e ativos relacionados a maior risco.

 

Não se materializou a expectativa de elevação ainda mais forte da Selic no encontro do Copom em abril. No levantamento Focus divulgado hoje, as equipes econômicas de instituições privadas reiteraram a previsão de que a taxa básica subirá 0,50 ponto porcentual, para 9,25%, no dia 28 de abril. E também não mudou a expectativa do mercado financeiro para o IPCA final de 2011, já que prevaleceu a previsão de uma taxa de 4,80% para o índice oficial de inflação, ante estimativa de 4,70% observada há quatro semanas. Esses dois vetores fragilizam as justificativas para os prêmios embutidos nos contratos com vencimentos de curto e médio prazos dos DIs.

 

Mas o exterior também transfere pressão de baixa para os prêmios, com as commodities recuando, já que a ameaça da crise dá razões para uma capitulação de ativos mais arriscados. Além da denúncia de que o Goldman Sachs teria provocado fraudes, ficou para quarta-feira a reunião de autoridades do governo da Grécia com delegações da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para discutir os termos do pacote de auxílio financeiro ao país mediterrâneo. A reunião deveria acontecer hoje, mas foi adiada já que os voos na Europa

continuam suspensos em consequência da cortina de fuligem vulcânica que ainda oferece perigo. E o governo chinês quer que os bancos parem de conceder empréstimos para a aquisição da terceira moradia. As medidas fizeram a Bolsa de Xangai desabar 4,79% hoje.

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