Juros futuros caem com dólar baixo, Mantega e Tombini

Investidores voltaram a apostar em um novo corte da taxa básica de juros a Selic

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

23 de setembro de 2011 | 16h50

A forte queda das taxas projetadas pelos juros futuros teve, novamente, influência do dólar, que também caiu sensivelmente após a intervenção de ontem do Banco Central. Além disso, comentários das duas principais figuras da equipe econômica, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dizendo que continua perseguindo um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% para 2011, e o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmando que o risco de recessão global está mais alto hoje, deram a entender que o movimento de corte da taxa Selic terá prosseguimento, independentemente da piora da inflação corrente e das expectativas. Apesar da pequena melhora externa, as incertezas persistem e a maior parte das commodities seguiu em queda.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (533.335 contratos) estava em 11,20%, de 11,28% no ajuste. O janeiro de 2013, com giro de 648.430 contratos, cedia a 10,46%, de 10,69% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2014 (178.420 contratos) marcava 10,95%, de 11,30%. Entre os longos, a queda foi ainda mais acentuada. O DI janeiro de 2017 (53.020 contratos) recuava a 11,56%, de 11,98% no ajuste de ontem, e o DI janeiro de 2021 (16.955 contratos) deslizava para 11,58%, de 11,96%.

E, realmente, o câmbio e as commodities favoreceram os vendidos em taxa na sessão de hoje. O índice CRB (sigla para Commodity Research Bureau, índice que é referência global para as commodities) cedeu 1,75%, enquanto o dólar caiu ainda mais, a R$ 1,8420, recuo de 3,56% no balcão. Esse recuo simultâneo ajuda a minimizar o avanço que as cotações das matérias-primas em real vinham registrando nos últimos dias, uma vez que o dólar estava em alta mais intensa do que a queda verificada nas commodities.

Internamente, o IPC-S trouxe uma notícia favorável na inflação. Perdeu força e subiu 0,58% até a quadrissemana finalizada em 22 de setembro, após avançar 0,69% no indicador anterior, de até 15 de setembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Taxas de inflação mais fracas nos preços de Alimentação (de 1,39% para 0,90%) e de Educação, Leitura e Recreação (de 0,23% para 0,15%) foram decisivas para o ímpeto menor do indicador.

Lá fora, nenhum fato concreto se fez presente, mas rumores de todos os tipos influenciaram os mercados. Logo cedo, reportagem do jornal grego Ta Nea dava conta de que o ministro de Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, disse a parlamentares do seu partido que o país enfrenta o risco de um default desordenado. A publicação acrescenta que o ministro sugeriu um possível desconto de 50% na dívida do país. Em paralelo, rumores de que a União Europeia teria planos para acelerar a recapitalização de alguns bancos que quase foram reprovados em testes de estresse realizados em julho minimizavam o pessimismo sobre a Grécia. Ainda assim, um porta-voz da Comissão Europeia (braço executivo da UE) negou tais informações.

Tudo o que sabemos sobre:
juros futurosdólarBanco Central

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.