Juros futuros caem com volta do compulsório

IGP-M registrou alta de 1,18% em fevereiro e taxa de desemprego ficou em 7,2% em janeiro

Patricia Lara, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 11h50

Os juros futuros abriram o dia em queda, após as medidas de calibragem da liquidez do sistema financeiro, anunciadas ontem à noite pelo Banco Central (BC), reforçarem as expectativas de redução da urgência de elevação da Selic (a taxa básica de juros da economia) em março. No entanto, dois dados sobre a economia divulgados hoje reforçam a ideia de que o BC pode ter que agir em abril.

 

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou alta de 1,18% em fevereiro. Já a taxa de desemprego ficou em 7,2% em janeiro, acima dos 6,8% de dezembro. Ontem, o BC anunciou que entra em vigor no dia 22 de março o aumento das alíquotas do recolhimento adicional para depósitos à vista e a prazo para 8%. Atualmente, o porcentual é de 5% e 4%, respectivamente. Sozinha, a medida vai retirar R$ 37 bilhões de circulação.

 

Outra mudança, que passa a vigorar em 9 de abril, traz a alíquota do compulsório para depósitos a prazo - como os Certificados de Depósito a Prazo (CDB) - de 13,5% para 15%, nível igual ao anteriormente adotado. O BC determinou que o recolhimento passará a ser feito somente em espécie e com remuneração pela Selic. Anteriormente, era possível fazer o

recolhimento de 55% em espécie e 45% em títulos públicos.

 

"As medidas do BC mostram que é iminente a chance de alta da Selic. De todo modo, é bem provável que isso ocorra só em abril, com alta de 0,50 ponto porcentual. Mas nosso cenário alternativo, com probabilidade de 30% de se concretizar, é de aumento já em março", comentou um experiente executivo da mesa de renda fixa de uma corretora.

 

O analista prevê que os DIs "entreguem" a alta forte de ontem, com pressão vendedora forte de taxas nas pontas mais curtas. "As medidas do BC não representam uma surpresa. Não é uma medida de contração, mas de ajuste de liquidez. Não tira da política monetária a tarefa de conter a inflação", observou a fonte.

 

Os defensores de uma alta iminente da Selic observam, no entanto, os dados do IGP-M de fevereiro e da taxa de desemprego em janeiro. De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País, de 7,2%, é a menor para um mês de janeiro na série histórica, iniciada em 2003. Mas o resultado ficou abaixo do piso das

estimativas dos analistas, que iam de 7,3% a 8%. Já o rendimento médio real dos trabalhadores registrou variação positiva de 1,1% em janeiro ante dezembro, mas caiu 0,4% na comparação com janeiro do ano passado.

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