Juros futuros caem de olho na cena externa

IPC, medido pela Fipe, desacelerou para 0,35% na 3ª prévia do mês, de 0,46% na anterior

Patricia Lara, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 10h29

O mercado de contratos de depósitos interfinanceiros (DIs) já começou a indicar que pode mudar de faixa. Após ter soterrado a expectativa de que o Banco Central poderia intensificar a elevação da taxa básica de juros (Selic) no seu encontro decisório de 8 e 9 de junho para 1 ponto porcentual, o mercado de juros futuros precifica um prêmio de 0,726 ponto porcentual para a próxima reunião, o que sugere que uma minoria dos investidores que atua nesse segmento começa a ver a alta de 0,50 ponto porcentual como uma possibilidade. Esse cenário ainda é remoto e pode ser temporário. No entanto, o quadro externo desta manhã era decisivo para emoldurar essa expectativa, com as incessantes preocupações com a solvência bancária

em determinados países da zona do euro - principalmente na Espanha - ganham o respaldo do

recrudescimento das tensões na península coreana.

 

E o quadro é engrossado ainda por mais um dado doméstico indicando arrefecimento da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), desacelerou para 0,35% na 3ª prévia do mês, de 0,46% na anterior. A variação ficou no piso das estimativas coletadas pela Agência Estado, que variavam de 0,35% a 0,44%.

 

O dado de inflação pincela um cenário que justifica a parcimônia do Banco Central. Já o cenário externo tem hoje um pico de tensão. Após o socorro ao CajaSur no fim de semana, a notícia de que quatro instituições de poupança da Espanha assinaram um protocolo de intenções para fundir suas operações é interpretada como mais um sinal de fragilidade do sistema bancário daquele país. Ontem, a Caja de Ahorros del Mediterraneo, Cajastur, Caja Extremadura e Caja Cantabria disseram em comunicado que planejam formar "um grupo com a ambição de se tornar uma das principais unidades do sistema financeiro espanhol".

 

A insegurança sobre a solvência de bancos europeus puxava a taxa libor (taxa interbancário de juros em Londres) em dólares para três meses, que mostra a disposição dos bancos para emprestarem em dólares uns aos outros na Europa. A Libor atingiu seu maior nível desde 7 de julho do ano passado, a 0,53625%, segundo a Associação dos Bancos Britânicos. Ontem, a taxa foi fixada em 0,50969%.

 

Além da tensão na Europa, a agência de notícias Yonhap informou que a Coreia do Norte ordenou que suas forças militares ficassem prontas para o combate. E os investidores bateram em retirada das ações e moedas asiáticas. E a China abriu indicadores antecedentes e coincidentes de atividade mais fracos em abril, na comparação com março. Os números sinalizam tendência de desaceleração desse importante guindaste que vinham ajudando na recuperação da economia global.

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