Juros futuros caem mais com economia fraca nos EUA

O PIB do 1º trimestre foi revisado de alta de 2,7% para alta de 3,7%, mas os mercados não olharam muito para esse retrovisor

Marisa Castellani, da Agência Estado,

30 de julho de 2010 | 10h10

O mercado de juros abriu o dia antecipando-se à divulgação de um Produto Interno Bruto (PIB) fraco nos EUA, com as taxas do Depósito Interfinanceiro (DI) futuro em queda ante os ajustes. Imediatamente após o anúncio de que PIB norte-americano subiu 2,4% no 2º trimestre em taxa anualizada ajustada sazonalmente (preliminar), ante previsões de +2,5%, as taxas do DI futuro recuaram mais um pouquinho, chegando às mínimas. O PIB do 1º trimestre foi revisado de alta de 2,7% para alta de 3,7%, mas os mercados não olharam muito para esse retrovisor. Todas as estimativas para o crescimento da economia dos EUA desde o início de 2007 foram revisadas para baixo.

 

A decepção veio também com os gastos dos consumidores norte-americanos - responsáveis por mais de dois terços da economia dos EUA. Os gastos dos consumidores subiram 1,6% no segundo trimestre, depois de terem crescido 1,9% nos três primeiros meses deste ano. O gasto das empresas com equipamentos e software, por outro lado, continuou crescendo e subiu 21,9% no segundo trimestre, em comparação com o aumento de 20,4% registrado no primeiro trimestre.

 

O núcleo do índice de preços para gastos com consumo pessoal (PCE), que exclui variações de preços nos segmentos de energia e alimentos, subiu 1,1% no segundo trimestre, o menor porcentual desde o primeiro trimestre de 2009. No primeiro trimestre deste ano, o núcleo do índice PCE avançou 1,2%. O índice cheio de preços PCE avançou 0,1% no segundo trimestre, desacelerando fortemente de alta de 2,1% no primeiro trimestre.

 

Os dados reforçaram a ideia de desaceleração da economia norte-americana, confirmando o quão difícil tem sido a recuperação da atividade global no pós-crise, tema destacado ontem pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesse sentido, alimentam a perspectiva de que o ciclo de alta da Selic não tem grandes motivos para prolongar-se por muito mais tempo.

 

Terminando a semana sem uma agenda forte de indicadores nacionais nesta sexta-feira, o mercado de juros agora vai acompanhar os próximos números de inflação e atividade doméstica/internacional para afinar suas apostas para a decisão do Copom em setembro. A semana que vem já trará a produção industrial de junho, no dia 3, e o IPCA de julho, no dia 6. Ambos devem apontar acomodação, segundo os prognósticos nas mesas de operação.

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