Juros futuros caem por superávit melhor e alívio externo

As taxas abriram em queda por exterior e ampliaram às mínimas do dia com o resultado fiscal anunciado pelo Tesouro

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

25 de junho de 2013 | 17h06

O resultado primário do Governo Central acima da mediana das estimativas do mercado levou os investidores em juros a aproveitar a oportunidade para retirar um pouco do excesso de prêmios das taxas futuras. Com o recuo das apostas após a informação divulgada pelo Tesouro Nacional na tarde desta terça-feira, 25, as taxas foram às mínimas em meio a um giro fraco de negócios no dia.

Antes da divulgação, os juros vinham em queda, diante de um cenário externo mais leve, do apetite por risco internacional e com a queda do dólar ante o real. Nesse ambiente, não houve ninguém disposto a defender posições e impedir a queda dos juros. Na véspera, o resultado acima do previsto para a arrecadação também havia ajudado no recuo das taxas futuras.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (84.600 contratos) estava em 8,46%, de 8,48% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2014 (136.820 contratos) marcava 8,94%, ante 9,00% na segunda-feira. O vencimento para janeiro de 2015 (202.490 contratos) indicava taxa de 9,91%, ante 10,06% na véspera. Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (170.140 contratos) apontava 10,85%, ante 11,06%. O DI para janeiro de 2021 (6.370 contratos) estava em 11,12%, de 11,32% do ajuste anterior.

"Como há excesso de prêmios na curva de juros, os investidores têm aproveitado qualquer informação melhor para desmontar posições. Quando saiu o resultado do primário, muita gente começou a puxar as taxas para baixo e isso fez com que ordens de stop loss fossem disparadas, jogando os juros para as mínimas", relatou um operador. "Como o exterior está mais tranquilo, o movimento foi facilitado", continuou.

O Tesouro informou que o superávit primário do Governo Central em maio atingiu R$ 5,956 bilhões, com queda de 18% em relação ao resultado de abril (R$ 7,26 bilhões). O valor, por outro lado, é recorde para o mês e ficou acima da mediana encontrada pelo AE Projeções, de R$ 4 bilhões.

Pela manhã, os dados domésticos conhecidos não tiveram grande efeito sobre o mercado. O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 1,5% em maio ante abril e chegou a R$ 2,486 trilhões, segundo o Banco Central. No trimestre encerrado em maio, a carteira cresceu 4,3% e, no acumulado do ano, houve alta de 5,00%. Em 12 meses, a elevação foi de 16,1%.

No exterior, além de uma série de dados positivos dos EUA, houve uma ação mais efetiva do banco central da China, que iniciou uma ofensiva para estancar a crise de liquidez que assola o mercado interbancário do país. O vice-diretor da filial de Xangai do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), Ling Tao, disse que o banco central irá guiar as taxas de juros para um "intervalo razoável", sugerindo um potencial fim para a crise de liquidez que tem assolado o sistema financeiro da segunda maior economia global.

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