Juros futuros cedem mesmo com disparada nos EUA

Embora estejam num cabo-de-guerra entre quadro externo negativo e dados internos positivos, os juros futuros estão se comportando muito bem esta manhã, com as pressões favoráveis mostrando-se predominantes. As influências negativas vêm dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (treasuries), que dispararam ante o indicador de encomendas de bens duráveis em março, divulgado nesta manhã. Este subiu 6,1%, ante previsões de crescimento de 1,6%. O dado de encomendas de fevereiro foi revisado em alta, de 2,7% para um crescimento de 3,4%. Com isso, o juro do título de 10 anos dos EUA bateu nova máxima em quatro anos, de 5,12%. Entretanto, o mercado de juros aqui tem a seu favor mais dois índices de inflação ao consumidor favoráveis (IPC-Fipe e IPCA-15) e todo o clima melhor verificado desde ontem, a partir das declarações do secretário do Tesouro, Carlos Kawall e do bom resultado do leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN, prefixado), NTN-F (título pré fixado com pagamento periódico de juros, série F) e NTN-B (título série B pós fixado indexado ao IPCA), tanto pelo lado da demanda, quanto pelo das taxas, ligeiramente abaixo do consenso. Kawall disse que o processo de troca de papéis pós-fixados pelos títulos prefixados e pelos corrigidos por índices de preços não será feito a qualquer preço e que a decisão de não oferecer LFTs (pós-fixado veiculado à Selic)nos leilões se restringe ao mês de maio. Divulgado no início do dia, o IPC-Fipe ficou negativo em 0,06% na terceira quadrissemana de abril, mesmo porcentual da segunda quadrissemana do mês. O resultado veio dentro da margem prevista pelo mercado. O IPCA-15 de abril veio muito melhor do que o esperado. O índice ficou em 0,17% em abril, ante 0,37% em março. Este resultado ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas. Às 10h13, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) com vencimento para janeiro de 2008 (o mais negociado) estava em 14,62%, ante fechamento ontem a 14,68% e ajuste para o dia a 14,66%. A taxa do DI-janeiro/07 estava em 14,72% contra 14,76% de terça-feira. Na agenda de hoje, o mercado ainda tem como dados importantes a observar o superávit primário consolidado de março, o Livro Bege dos EUA, e os relatórios norte-americanos de estoques de petróleo.

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 10h15

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