Juros futuros cedem reforçando aposta de queda da Selic

Mercado aposta na sinalização do Banco Central, que apontava para novo corte dos juros na reunião que começou hoje  

Márcio rodrigues, da Agência Estado,

18 de outubro de 2011 | 16h50

No primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado de juros continua se fiando nas sinalizações da autoridade monetária de que ajustes moderados na Selic são condizentes com a convergência da inflação para a meta em 2012. Assim, a precificação na curva a termo de juros futuros ainda indica queda de 0,5 ponto porcentual da Selic, amanhã, sem que os dados de inflação conhecidos hoje e a criação de postos de trabalho acima do esperado em setembro alterassem tal cenário. No entanto, a demora na solução da crise de dívida e bancária da Europa e a leve desaceleração do crescimento chinês abriram espaço para que os agentes trabalhassem com um prolongamento do afrouxamento monetário em 2012.

Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (270.950 contratos) cedia a 11,14%, de 11,18% no ajuste, indicando redução de 0,55 ponto porcentual da Selic, amanhã, e mais 0,5 ponto no encontro de novembro. O DI janeiro de 2013, com giro de 300.625 contratos, recuava a 10,47%, de 10,55% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2014 (74.585 contratos) estava na mínima de 10,75%, ante 10,89%. Os DIs janeiro de 2017 e de 2021 estavam, ambos, na mínima de 11,23%, ante 11,37% no ajuste de ontem, com 25.775 contratos e 2.090 contratos negociados, respectivamente.

Apesar do avanço das bolsas e das commodities, o noticiário externo é, mais uma vez, dúbio. Logo na abertura dos mercados ocidentais os investidores repercutiam a advertência dada pela agência de classificação de risco Moody''s, no fim da noite de ontem, de que a perspectiva estável do rating AAA da França está sob pressão devido a métricas mais fracas de endividamento e do potencial surgimento de novas obrigações. Além disso, do outro lado do mundo, a China informou ontem à noite que o PIB do terceiro trimestre cresceu 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado, abaixo dos 9,5% do segundo trimestre e também das previsões dos economistas, que apontavam para uma expansão de 9,2%.

Diante desse quadro, os mercados abriram no vermelho, mas mudaram de lado depois que, novamente, a retórica entrou em ação. O ministro de Finanças da França, François Baroin, afirmou que o país está trabalhando em uma forte resposta à crise da dívida na zona do euro, na preparação para a reunião de cúpula da União Europeia. Disse ainda que o país fará tudo para manter seu rating AAA. Alguns resultados positivos de empresas dos Estados Unidos também ajudaram a impulsionar os ativos.

Internamente, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicou criação de 209.078 novas vagas de trabalho com carteira assinada no País em setembro, segundo o Ministério do Trabalho. O resultado ficou dentro do intervalo previsto pelo mercado, entre 150 mil e 240 mil postos, mas superou a mediana das estimativas, de 175 mil vagas formais.

No que diz respeito à inflação corrente, o IGP-10 divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu 0,64% em outubro, ante 0,63% em setembro. A inflação na capital paulista, pedida pelo IPC-Fipe, subiu 0,27% na segunda quadrissemana de outubro, ante 0,23% no primeiro levantamento do mês e acima da mediana projetada pelo AE Projeções, de 0,25%.

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