Juros futuros começam negócios em forte alta

Passada a decisão amplamente esperada de manutenção da taxa básica de juros da economia (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, em 7,25%, os juros futuros iniciaram a quinta-feira de agenda econômica carregada em alta, tocando as máximas. Os investidores digerem dados de inflação, monitoram o câmbio e são influenciados pelo otimismo externo com as negociações para resolver os problemas fiscais dos EUA.

RENATA PEDINI, Agencia Estado

29 de novembro de 2012 | 10h14

Às 10h01, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,32%, de 7,29% no ajuste de quarta-feira (28). O DI para janeiro de 2015 marcava 7,93%, de 7,88%; e o janeiro 2016 tinha taxa de 8,45%, na máxima, de 8,37%. Entre os vencimentos longos, o DI com vencimento em janeiro de 2017 projetava 8,76%, na máxima, de 8,70% na véspera e o DI para janeiro de 2021 marcava 9,42%, de 9,36% na quarta-feira (28).

O gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, afirma que a manutenção dos juros básicos em 7,25% ao ano pelo Copom ontem não influencia a curva a termo. "O mercado já havia precificado a manutenção e a decisão, por unanimidade, com comunicado repetido, não causa impacto", afirma.

No comunicado de quarta-feira (28), a autoridade monetária repetiu o texto de outubro, de que a estabilidade dos juros básicos "por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear".

Outros analistas ouvidos pela Agência Estado logo após o anúncio do Banco Central já haviam afirmado que os investidores seguiriam atentos ao comportamento do câmbio e condições econômicas externas.

A menor aversão ao risco no exterior após declarações otimistas do presidente dos EUA, Barack Obama, sobre as negociações no Congresso para combater as dificuldades fiscais do país, abre espaço para a recomposição das taxas futuras de juros, de acordo com o economista da Planner Eduardo Velho. Os DIs também monitoram a oscilação do câmbio, acrescenta. Às 9h40, o dólar negociado à vista no balcão subia 0,14%, a R$ 2,091.

Entre os indicadores domésticos, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) caiu 0,03% em novembro, ante alta de 0,02% em outubro. A queda foi menor que a mediana das expectativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, de -0,09%, com base num intervalo que ia de -0,17% a zero. "A deflação menos acentuada que a mediana do mercado teoricamente contribuiria para elevar os juros futuros", diz Velho.

Já Petrassi chama a atenção para a coleta diária da Fundação Getulio Vargas sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No critério ponta, a alta do IPCA passou de 0,77% na terça-feira para 0,84% ontem. "Isso não é notícia boa. Nos últimos dez dias, tem mantido alta forte e o mercado está vendo que essa coleta está incomodando". A aceleração foi puxada por alimentação e bebidas.

Ainda de acordo com o gerente da Leme, o mercado está mais atento aos dados sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA (às 11h30, de Brasília) e do Brasil (amanhã). Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, qualquer número entre 1% e 1,3% será satisfatório. "Se for 1%, será um crescimento anualizado de 4%", afirmou, em entrevista à imprensa local e internacional. Mantega prometeu ainda mais medidas para estimular o crescimento da economia.

De volta à agenda doméstica, nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou alta de 0,21% em outubro, ante taxa de 0,69% em setembro (dado revisado). Os preços dos alimentos, que caíram 1,51%, tiveram a primeira taxa negativa desde fevereiro deste ano (-1,41%). O setor acumula, em 2012, variação de preços de 13,47%.

Também hoje saem a nota de política monetária e operações de crédito de outubro (às 10h30) do Banco Central; e o resultado primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS) (às 14h30). Para este dado, as estimativas de economistas ouvidos pelo AE Projeções vão de superávit primário de R$ 4,0 bilhões a R$ 15,3 bilhões, com mediana de R$ 12,0 bilhões.

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