Juros futuros curtos sobem após BC ver piora do cenário para inflação

Relatório do Banco Central apontou que o desvio existente entre as projeções para o IPCA, tanto as oficiais quanto as de mercado, sugerem necessidade de implementação de ajuste na taxa Selic

Cristina Canas, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2010 | 17h48

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado hoje pelo Banco Central, disse, sem meias palavras, que o desvio existente entre as projeções para a inflação, tanto as oficiais quanto as de mercado, em relação à meta inflacionária "sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros, de forma a conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como de reforçar a ancoragem das expectativas de inflação". O mercado reagiu com a forma clássica e prevista de elevar o juro de curto prazo e reduzir as taxas mais longas.

No fechamento do pregão regular, a projeção da taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) de abril de 2011, por exemplo, subia a 11,11% ao ano, de 11,04% no ajuste de ontem. Tinham alta também o juro do DI de julho de 2011, para 11,60% ao ano, ante 11,48% na véspera, e o do DI de outubro de 2011, para 11,19% ao ano, ante 11,80% no ajuste de ontem. O DI de janeiro de 2012 projetava juro de 12,12% ao ano, comparado a 12,00% da véspera.

A inversão da curva já dava para perceber no contrato de janeiro de 2013, que fechou com juro de 12,34% ao ano hoje, em relação a 12,39% no ajuste desta terça-feira. O juro do DI de janeiro de 2014 fechou em 12,20% ao ano pregão regular desta quarta-feira, ante 12,32% no ajuste de ontem e o do DI de janeiro de 2017 saiu de 12,18% na véspera para 11,96% ao ano hoje.

O Banco Central também deixou claro os motivos para a sua postura mais contundente no relatório: essas projeções para inflação acima da meta já "incorporam os efeitos estimados da recente elevação dos compulsórios e de um esforço fiscal", mas não embutem as medidas de contenção ao crédito adotadas mais recentemente, como disse o diretor de política econômica, Carlos Hamilton Araújo, na entrevista coletiva que se seguiu ao anúncio do BC. Já depois dessas medidas para controlar o crédito, a pesquisa Focus do BC captou mais uma rodada de deterioração nas expectativa inflacionárias. O último levantamento, divulgado anteontem, mostrou alta generalizada nas projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O mercado agora está discutindo se "curto prazo" é janeiro ou março. Hoje cresceram as apostas na elevação da taxa Selic já no próximo mês, em que ocorrerá a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, sob o comando de Alexandre Tombini. Mas ainda não há consenso. Muitos economistas avaliam que o BC pode esperar até março, até porque, como disse Hamilton Araújo, não é possível determinar com precisão o impacto das medidas prudenciais anunciadas recentemente para conter o crédito na economia. "Pode ser que o Banco Central queira avaliar melhor", disse um especialista.

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