Juros futuros curtos sobem após dados de desemprego

Taxa atingiu 5,7% em novembro, ante 6,1% em outubro, segundo divulgou hoje o IBGE

Patrícia Lara, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2010 | 10h04

A queda da taxa de desemprego de 6,1% em outubro para 5,7% em novembro já provoca inclinação de alta aos contratos futuros de juros de vencimento no curto prazo. Mas os detalhes dos dados, como a queda na renda e uma quantidade menor de pessoas à procura de emprego, devem começar a ganhar relevância ao longo do dia e podem estancar o movimento. No exterior, a notícia de que a Turquia elevou compulsório bancário um dia após alterar a estrutura de seus juros, com redução de algumas taxas e elevação de outras, ainda não repercutiu globalmente, mas é um fato de destaque neste momento em que bancos estrangeiros discutem a adoção de novos paradigmas econômicos.

A taxa de desemprego de 5,7%, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou no piso das expectativas dos analistas, que esperavam taxa de 5,7% a 6,1%, com mediana de 6%. Este é um novo nível recorde de baixa na série histórica. No cálculo do Banco Fator, a taxa de desemprego dessazonalizada caiu de 6,4% em outubro para 6,0% em novembro.

Segundo o IBGE, o rendimento médio real (descontada a inflação) dos trabalhadores caiu 0,8% em novembro ante outubro e a massa da renda real habitual recuou 0,6% em novembro ante outubro. Para completar, o contingente de desocupados, estimado em 1,359 milhão no agregado das seis regiões investigadas atingiu seu menor nível desde março de 2002, com queda de 5,9% em relação a outubro.

Na avaliação do Banco Fator, "a pouca ociosidade no mercado de trabalho é uma das razões para a inflação elevada no Brasil, em especial nos preços de serviços. Sendo assim, o fato de a taxa de desemprego continuar a vir baixa é um risco para o cumprimento da meta de inflação em 2011". Essa instituição prevê alta nos juros futuros hoje.

Para Paulo Petrassi, da Leme Investimentos, a retração da taxa de desemprego corrobora a tese de que o Banco Central (BC) pode ficar atrás da curva, o que pode levar, no futuro, ao lançamento de uma dosagem maior de alta da taxa básica de juros. Segundo esse analista, o BC não pode se dar ao luxo de testar novos modelos, como sugeriu na ata, divulgada ontem, já que corre o risco de perder a credibilidade, o que está ocorrendo com alguns bancos centrais.

Mais cedo, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,57% na segunda prévia de dezembro, desacelerando após ter subido 0,67% no primeiro levantamento do mês.

No exterior, em um momento em que os analistas debatem sobre os novos paradigmas econômicos, o banco central turco elevou o compulsório bancário, após mudar sua estrutura de juros, quando promoveu corte em algumas taxas e elevações em outras. Vários analistas consideram que a elevação de compulsório bancário precede o uso do instrumento clássico de alta do juro básico, mas novos padrões pouco ortodoxos estão sendo testados pelo mundo.

No Brasil, às 9h58 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 11,85%, ante 10,83 de ontem. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,35%, ante 12,33% de ontem.

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