Juros futuros curtos sobem com ajustes ao Copom

Avaliação dos investidores é de que o ajuste na taxa Selic, como um todo, tende a ser concentrado e curto

Denise Abarca, da, Agência Estado

29 de abril de 2010 | 16h36

Os ajustes do mercado de juros após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) ontem de elevar a taxa Selic em 0,75 ponto porcentual, para 9,50% ao ano, resultaram em alta das taxas curtas e queda das longas no mercado futuro e um volume expressivo de contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), sendo grande a chance de bater novo recorde no segmento.

Ao término da negociação normal, o depósito interfinanceiro (DI) futuro com vencimento em julho de 2010 liderava o giro, com 1.942.670 contratos negociados, e projetava taxa de 9,65% ao ano, de 9,56% no ajuste de ontem; o DI com vencimento em junho de 2010 (1.586.720 contratos negociados) estava em 9,368% ao ano, de 9,28% ontem; e o DI com vencimento em janeiro de 2011 (452.190 contratos negociados) subia a 11% ao ano, de 10,91% no ajuste de ontem. O DI de janeiro de 2012 (202.655 contratos negociados) recuava a 12,16% ao ano, de 12,21% ontem; e o DI janeiro de 2017 (37.105 contratos) caía a 12,38% ao ano, de 12,57% ontem.

A inclinação da curva de juros foi suavizada porque havia posições montadas na aposta de que o novo ciclo de altas da Selic seria inaugurado ontem com uma dose de 0,5 ponto porcentual, e também pelo ajuste dos players para as próximas decisões do Copom, sob a percepção de que o BC não deve optar por altas menores do que 0,75 ponto, que agora tornou-se piso das apostas.

Com o BC decidindo por abrir o processo de maneira mais firme, a avaliação dos players é de que o ajuste na Selic como um todo tende a ser concentrado e curto. "A magnitude do aumento veio apenas confirmar a nossa expectativa da necessidade de um ciclo de aperto mais robusto no curto prazo, para convergir de forma rápida as expectativas inflacionárias até o início do segundo semestre", avalia o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho.

A decisão do Copom, por unanimidade, concentrou o foco dos investidores, que colocaram em segundo plano os demais eventos da agenda. O IBGE informou que a taxa de desemprego subiu de 7,4% para 7,6% de fevereiro para março, em linha com as previsões. A FGV divulgou o IGP-M de abril, que desacelerou a 0,77%, de 0,94% em março, número acima da mediana das previsões (0,65%), mas dentro do intervalo esperado (0,55% a 1,01%).

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