Juros futuros de lado de olho na reunião do Copom

Apesar da vertigem provocada pelos prêmios elevados inseridos nos contratos futuros de juros,

Patricia Lara, da Agência Estado,

27 de abril de 2010 | 10h27

principalmente nos curtos, os investidores devem partir apenas para um ajuste marginal hoje nas taxas dos contratos de depósitos interfinanceiros (DI). Os investidores estão ariscos em esvaziar a aposta de elevação de 0,75 ponto porcentual da Selic no encontro do Comitê de Política Monetária, que começa hoje e termina amanhã. "O mercado pode tentar devolver um pouco de prêmio na largada, mas deve passar a subir novamente", observou uma fonte de uma corretora internacional. 

 

 

Se o mercado precisa de sinais e olha a posição do investidor pessoa física na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), também tem pouca convicção para blindar a expectativa de uma alta de 0,50 ponto porcentual da Selic. A posição do grupo classificado como pessoa física em contratos abertos em DI na BM&F foi um sinal vital no encontro de março, quando a Selic foi mantida inalterada. Nos dias que antecederam a decisão, a posição líquida desse grupo tornou-se fortemente vendida (aposta na baixa), sinalizando que a expectativa era de que a Selic não sairia do nível em que estava para um patamar mais alto, como estavam prevendo os comprados. E esse comportamento se materializou.

 

E agora, os investidores seguem sensíveis a esse posicionamento desse grupo. O boletim da BM&F do final da sessão de ontem mostra que houve redução marginal da posição comprada (aposta na alta) desse grupo. Houve uma redução de 765 contratos de venda de PU - que equivale à compra de taxa - entre os dias 26 e 27 de abril, para um total ainda de 14.645 contratos. Houve aumento de 230 contratos de compra de PU, equivalente à venda de taxa, para 1.159 contratos. No saldo líquido - a diferença entre posição comprada e vendida - o grupo pessoa física terminou o pregão de ontem com posição líquida vendida em PU - o equivalente à posição comprada em taxa - de 13.486 contratos.

 

A elevação da Selic é dada como certa pelo mercado e por economistas. A taxa básica de juros não sobe no País desde setembro de 2008, quando saiu do nível de 13,00% ao ano para 13,75% anuais. Os 13,75% ao ano foi o patamar que perdurou até janeiro de 2009, quando a crise financeira internacional levou o BC a reduzir a taxa básica para 12,75% ao ano. O ciclo de alívio se prolongou até julho de 2009, quando a Selic foi cortada para 8,75% ao ano, nível em que está estacionada desde então.

 

Na esfera doméstica, o BC encontra diversos argumentos para partir para uma dose mais agressiva de elevação dos juros, principalmente, em relação ao desempenho do mercado de trabalho, com forte absorção de mão de obra e formalização do emprego, enquanto os níveis de capacidade das indústrias se recuperaram. As expectativas de inflação também passaram por um processo de deterioração acentuada nas últimas pesquisas Focus divulgada pelo BC.

 

Hoje, o mercado terá às 14h30 mais um pedaço importante sobre o ritmo da economia doméstica. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga os resultados do Indicador de Nível de Atividade (INA) de março. Também será apresentado o sensor do mês de abril, que aponta a percepção dos empresários a respeito das perspectivas econômicas do período e também um estudo inédito sobre o Nível de Utilização de Produção Plena - NUPP, que mede a produção máxima possível das empresas e o nível corrente.

 

Enquanto o cenário interno justifica o debate sobre se há um aquecimento ou sobreaquecimento da economia, o componente externo ainda segue vulnerável e a assimetria rege as nações neste momento de recuperação da crise. A China continua tentando conter avanços de preços de imóveis e outros pontos considerados superaquecidos de sua economia com medidas restritivas, mas ainda não viu necessidade de elevar a taxa de juros básica. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (banco central do país) entra hoje em sua reunião decisória e também deve manter a taxa básica no país estática. Na Europa, as incertezas sobre a capacidade de a Grécia honrar suas obrigações financeiras seguem pairando sobre os mercados e o BCE não deve abreviar o atual ciclo de política acomodatícia

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