Juros futuros de longo prazo sobem com leilão do Tesouro

Dada a agenda esvaziada de indicadores domésticos, o mercado de juros concentrou suas atenções no leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que elevou a oferta em boa parte dos vencimentos em comparação aos lotes da semana passada. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a operação provocou alta nos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) de longo prazo, uma vez que os investidores interessados nos papéis costumam travar o risco prefixado tomando DIs de vencimento próximo aos títulos. A curva curta oscilou perto dos níveis anteriores, mas mantendo a tendência de alta que prevalece esta semana. Profissionais de renda fixa acrescentam, ainda, que as incertezas externas - a falta de detalhes do pacote de ajuda a Grécia, em especial - também ajudam a pressionar o mercado.

Denise Abarca, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 17h31

 

Ao término da negociação normal da BM&F, o DI com vencimento em janeiro de 2011 (263.835 contratos negociados hoje) marcava taxa de 10,27% ao ano, de 10,28% no ajuste anterior. O DI de julho de 2010 (61.770 contratos negociados) apontava estabilidade, a 9,18% ao ano. Nos contratos longos, o DI de janeiro de 2012 (99.030 contratos negociados) subia a 11,47% ao ano, de 11,44% no ajuste de ontem; o DI de janeiro de 2014 (16.195 contratos) disparava a 12,28% (máxima), de 12,15% ontem; e o DI de janeiro de 2017 (10.450 contratos) avançava de 12,56% no ajuste para 12,71% (máxima).

 

O Tesouro dobrou a oferta de NTN-F, os títulos prefixados mais longos da dívida, esta semana, ao ofertar 2,5 milhões de papéis ante 1,25 milhão na semana passada. O lote foi vendido integralmente e, segundo operadores, teria tido grande demanda de investidores estrangeiros, tradicionalmente os que têm maior apetite por vencimentos longos. O destaque foi o lote de 1,5 milhão da NTN-F com vencimento em 1/1/2021, três vezes superior ao da semana passada. Segundo operadores, os papéis saíram a taxas "justas", dentro do consenso do mercado, ou seja, o Tesouro não precisou pagar remuneração elevada para forçar a colocação dos papéis.

 

Nos juros curtos, o mercado tem resistido em devolver prêmios nos últimos dias, evitando se expor ao risco de uma elevação da Selic já no próximo mês. Hoje o diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, acentuou, em Curitiba, que as projeções feitas no fim do ano passado de que 2010 seria o início de um novo ciclo de crescimento na economia brasileira estão se confirmando. "Os efeitos da crise global sobre a economia brasileira têm sido superados", reforçou. Ele esteve em Curitiba para divulgar o Boletim Regional do Banco Central.

Tudo o que sabemos sobre:
jurosSelicTesouro Nacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.