Juros futuros de longo prazo têm leve queda

Contratos embutem expectativa de saída de Meirelles do BC e de que o sucessor será o diretor Alexandre Tombini

Denise Abarca, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 17h20

Os juros futuros de curto e médio prazos oscilaram perto da estabilidade ao longo da sessão, enquanto os vencimentos futuros de depósito interfinanceiro (DI) a partir de 2012 tiveram leve queda. De maneira geral, os profissionais nas mesas de renda fixa classificaram o pregão de hoje como de espera, tanto pela publicação do Relatório Trimestral de Inflação, amanhã, pelo Banco Central, quanto pela decisão do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre se ficará ou não no comando da instituição. Mas a decisão só será conhecida amanhã. Dada a expectativa com estes eventos, os dados econômicos desta terça-feira, como o IGP-M e os indicadores da Fiesp, acabaram não definindo uma trajetória clara para as taxas.

 

Ao término da negociação normal na BM&F, o DI com vencimento em julho de 2010 (169.815 contratos negociados), estável, projetava taxa de 9,18% ao ano. O DI de janeiro de 2011 (232.265 contratos negociados) também estava no ajuste de ontem, a

10,36% ao ano. O DI de janeiro de 2012 (107.435 contratos negociados) cedia a 11,62% (mínima), de 11,67% ontem.

 

O presidente do BC esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), nesta tarde. Meirelles disse que ele teria pedido a Lula mais "24 horas" para definir sua decisão, mas afirmou que Lula lhe pediu que continuasse no comando do BC até o final do mandato.

 

A curva a termo, segundo analistas, já precifica uma eventual saída do BC não somente de Meirelles, como do diretor de Política Econômica, Mário Mesquita. O mercado já conta também que o diretor de Normas, Alexandre Tombini, sucederá Meirelles e que o

diretor de Assuntos Internacionais, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, ficará no lugar de Mesquita. Se esse quadro se confirmar, o impacto no mercado tende a ser pequeno ou até nulo, mas qualquer coisa diferente disso tende a provocar reações mais fortes.

 

O relatório de inflação deve traduzir em números a informação do Banco Central trazida pela ata do Copom, de que houve aumento nas previsões de inflação. Segundo a ata, a projeção oficial para o IPCA em 2010 no cenário de referência "elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro e se encontra sensivelmente acima do valor central de 4,50%". No cenário de referência, o BC leva em conta a hipótese de manutenção do câmbio em R$ 1,80 e da Selic em 8,75% em todo o horizonte da projeção. Com essas condições, a expectativa do BC para a inflação em 2011 "se elevou em relação ao valor considerado na reunião de janeiro, e se encontra acima do valor central da meta". Em janeiro, o cenário de referência previa para 2010 e 2011 inflação ao redor da meta de 4,50%.

 

Nesta tarde, a Fiesp informou que o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da indústria paulista caiu para 78,5% em fevereiro, com ajuste sazonal, de 78,9% em janeiro. O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria subiu 1,1% em fevereiro ante janeiro, com ajuste sazonal.

 

Pela manhã, a FGV informou que o IGP-M ficou em 0,94% em março, após apresentar aumento de 1,18% em fevereiro. A taxa ficou dentro das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam um resultado entre 0,86% e 1,04%, mas foi levemente superior à mediana da pesquisa (0,93%).

 

 

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