Juros futuros de longo prazo voltam a subir

Boa parte dos contratos subiu em reflexo ao temor de que a inflação torne necessária alta dos juros no médio e longo prazos

Denise Abarca, da Agência Estado,

19 de março de 2010 | 17h20

Após uma semana de movimentação intensa, os juros futuros de curto de prazo mostraram acomodação, mas os demais vencimentos subiram, refletindo as incertezas sobre como será o desenrolar do esperado ajuste na Selic, após o Copom ter mantido a taxa em 8,75% na quarta-feira. O volume voltou à normalidade e continuou concentrado nos prazos até 2011, e agenda doméstica não trouxe destaques.

 

Ao término da negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o DI julho de 2010 (212.150 contratos) mostrava estabilidade, em 9,11%. Os vencimentos seguintes terminaram nas máximas. O DI janeiro de 2011 (204.165 contratos) subia a 10,31%, de 10,27% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2012 (96.430 contratos) avançava a 11,65%, de 11,55% ontem. O DI janeiro de 2013 (22.820 contratos) disparava a 12,05%, de 11,94% ontem.

 

Boa parte dos contratos subiu refletindo, segundo operadores, zeragem de posições vendidas motivadas pelo aumento do risco de a inflação exigir um esforço adicional da política monetária no longo médio e prazo, após o Copom ter mantido inalterada taxa básica.

 

Em meio a isso, o mercado ainda se incomoda com a indefinição sobre o futuro do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que deve anunciar até o final deste mês se permanece no cargo ou se sairá da instituição para participar das eleições.

 

Após os ajustes à decisão do Copom, o mercado espera agora os próximos indicadores e a ata para afinar seus prognósticos para a política monetária. Na semana que vem, a agenda é intensa, tendo como destaque a divulgação da ata da última reunião do comitê, na quinta-feira, em que os diretores vão explicar suas razões para a opção de não mexer na Selic. Na segunda-feira, o Banco Central divulga a pesquisa Focus e, na terça-feira, a nota de crédito referente a fevereiro.

 

No exterior, o destaque foi a decisão do Banco Central da Índia de elevar as taxas de juro de referência da economia em 0,25 ponto porcentual para ancorar as expectativas inflacionárias. A taxa de recompra, principal referência para a concessão de empréstimo pelo BC, subiu para 5% e a taxa de recompra reversa, ou a taxa para a tomada de empréstimo pelo BC, avançou para 3,50%. Na segunda-feira, o governo indiano informou que a taxa de inflação baseada no índice de preços no atacado subiu 9,89% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, o ritmo mais forte dos últimos 16 meses.

 

 

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