Juros futuros de olho no exterior

 Na curva de juros futuros, o mercado afinou o consenso sobre a expectativa de alta da Selic de 0,75 ponto porcentual no próximo Copom

Patricia Lara, da Agência Estado,

21 de maio de 2010 | 10h23

A incerteza sobre a situação europeia se prolonga por mais um dia e amplia a percepção de que a economia global deve enfrentar desafios relevantes para manter o ritmo de recuperação visto nos últimos trimestres. E esse ambiente continua como o fio condutor do mercado de juros futuros, que convergiram as expectativas para um aperto monetário de 0,75 ponto porcentual da Selic em junho - varrendo a possibilidade de uma alta de 1 ponto porcentual. Também devolveram prêmios relacionados à dosagem total de aperto monetário no País e deve prosseguir nessa tarefa hoje, dia de agenda esvaziada de dados econômicos domésticos e nos Estados Unidos. E esse vazio favorece o foco unidirecional para a Europa, onde o destaque fica com a reunião dos ministros de Finanças da União Europeia, em Bruxelas.

 

"Quanto mais demorada a incerteza, maior a chance de os consumidores e empresas se retraírem e o crescimento deve perder força. Mas, por ora, isso ainda não é evidente", comentam os economistas do banco suíço UBS, Larry Hatheway e Sunil Kapadia, que não observam nenhum progresso genuíno político para reduzir a preocupação sobre insolvência na Europa. Mas inexiste a expectativa de um desfecho rápido para o problema da pilha de dívidas de alguns países da Europa e de outras nações do globo com baixo dinamismo econômico e isto garante a volatilidade. Nesta manhã, a Câmara Baixa do Parlamento da Alemanha aprovou

a contribuição alemã de até 147,6 bilhões de euros ao pacote de resgate europeu e a Câmara Alta deve votar a medida hoje. Mas não há alívio nas bolsas, enquanto os ativos considerados menos arriscados seguem abrigando fluxo.

 

Na curva de juros futuros no País, o mercado afinou o consenso sobre a expectativa de alta da Selic de 0,75 ponto porcentual no encontro do Comitê de Política Monetária do Banco Central em 8 e 9 de junho, já que a precificação é de 0,77 ponto porcentual para esse encontro, incluindo os custos de carregamento e prêmio de risco. Mas há ainda muita incerteza sobre quais serão os desdobramentos nos quatro encontros posteriores.

 

A inabilidade de autoridades em fazer frente ao foco dos problemas e só se aterem a aplacar os sintomas paira como um fardo adicional para os investidores. Às 9h26, o euro valia US$ 1,2517, de US$ 1,2480 no final do dia em Nova York, após já ter oscilado entre a mínima de US$ 1,2470 e a máxima de US$ 1,2674 nesta manhã. As bolsas europeias indicavam perdas, com Frankfurt (-2,41%) apontando o pior desempenho entre os principais mercados acionários da região. Na China, a situação na Europa gera a expectativa de postergação de novas medidas restritivas e ajudou a bolsa a subir 1,1%. E o mesmo argumento já foi citado na ata do último encontro do Copom como um fator que limitaria o aperto monetário doméstico.

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