Juros futuros de prazo curto fecham nas máximas do dia

A alta do dólar ante o real afetou as taxas, que também subiram no longo prazo pela expectativa com decisão do Fed

Fernando Travaglini, da Agência Estado,

26 de julho de 2013 | 17h26

Após alguns dias de relativa estabilidade, as taxas dos juros futuros mais curtos fecharam o pregão desta sexta-feira, 26, em alta, nas máximas do dia, seguindo a nova valorização do dólar ante o real e a reversão de posições de alguns investidores. As taxas dos contratos de prazos mais longos continuaram ganhando prêmios em meio ao mau humor externo e a expectativas com a reunião do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, na próxima semana.

Os operadores ainda apostam em nova elevação de 0,50 ponto porcentual da Selic na reunião do próximo mês do Comitê de Política Monetária (Copom), mas estão divididos com relação à decisão do encontro em outubro, voltando a precificar aumento de 0,50 ponto.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (13.505 contratos) era negociada a 8,45%, na máxima, de 8,44% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2014 (102.955 contratos) marcava 8,80%, também na máxima, de 8,76% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (132.345 contratos) indicava taxa de 9,40%, de 9,34% na véspera. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (146.415 contratos) apontava 10,52%, ante 10,46%. O DI para janeiro de 2021 (3.795 contratos) estava em 10,92, de 10,86% no ajuste anterior.

Pela manhã, os juros subiram pressionados pela cotação do dólar, em alta, e também por uma redução das posições vendidas assumidas mais cedo. A moeda norte-americana fechou na máxima do dia, cotada a R$ 2,2550, com valorização de 0,49%.

No meio da tarde, o Tesouro Nacional informou que as contas do Governo Central - Tesouro, Previdência e Banco Central - registraram uma queda de quase 80% no superávit primário ante maio, ficando abaixo do previsto. O superávit primário foi de R$ 1,247 bilhão, com queda de 78,6% em relação ao resultado de maio (R$ 5,959 bilhões).

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, frisou que a política fiscal do governo é neutra, repetindo o que vem sendo declarado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "A política fiscal é neutra sim e se verifica pela diferença entre receitas e despesas como um todo", avaliou o secretário. As receitas do governo central cresceram 7,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. As despesas, por sua vez, avançaram 12,9% no período.

A decisão da reunião do Federal Reserve na quarta-feira, 31, deve ditar o ritmo do mercado na próxima semana. Segundo Antonio Madeira, economista da LCA Consultores, é esperado que o Fed esclareça pontos ainda nebulosos quanto à possibilidade de redução do programa de estímulos monetários à economia norte-americana. "O Fed pode tentar esclarecer melhor que circunstâncias seriam decisivas para aumentar os juros e a partir de quando", afirmou Madeira.

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